Projetos e pontualidade também tiveram nota baixa


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O levantamento sobre a presença dos vereadores no gabinete fora dos dias em que há sessão na Câmara é o quarto realizado pelo Comércio em 2007. A intenção das matérias é promover uma avaliação profunda do Legislativo francano. A primeira matéria da série, publicada em 1º de abril deste ano, mostrou que os atrasos dos vereadores nas sessões da Câmara chegavam a duas horas em um só mês. Em março, o Comércio acompanhou, com base no relógio instalado no plenário da Câmara, o horário de chegada de cada um dos 15 vereadores. O resultado foi que, juntos, os parlamentares atrasaram mais de 24 horas, uma média de mais de 24 minutos por sessão para cada vereador. A segunda matéria, publicada em 29 de abril, mostrou que, de cada dez projetos que deram entrada na Câmara em 2007 até 24 de abril, seis serviam para denominar ruas e dar títulos de homenagem e cidadania ou partiam do prefeito Sidnei Rocha (PSDB). No período, a Câmara havia realizado 12 sessões, onde foram apresentados 92 projetos. Vinte e quatro partiram de Sidnei Rocha (ou 26% do total). Outros 30 (34%) eram para dar nome a ruas, conceder títulos de cidadania ou homenagens em geral. O campeão de matérias do gênero foi Marcelo Mambrini (PMN), com cinco projetos do tipo. A boa notícia, porém, veio em 6 de maio. Após intensa repercussão da matéria sobre o atraso dos vereadores, um novo acompanhamento do Comércio constatou que o total de atraso diminuiu em 80%. Foram 24 horas em março contra 4h45 minutos em abril, uma média de 5 minutos por vereador por sessão. Para o cientista político Sérgio Grande, vinculado à Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto), o fato demonstra o poder fiscalizador da imprensa. “Houve um maior policiamento e a imprensa, nesse caso, foi fundamental para modificar uma situação que estava errada. A participação da imprensa, quando imparcial, é muito importante”, avalia. Já para o sociólogo Murilo Soares, da Unesp (Universi-dade Estadual Paulista) de Bauru, afirma que incomodar o poder público é papel inerente à imprensa. “Uma imprensa que não investiga, que não incomoda, não serve à população. No caso de Franca, a impressão que tenho, a distância, é que vocês (os jornalistas) fazem um trabalho de fiscalização muito importante”, disse.

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