Se o critério fosse atendimento à população na Câmara e a nota mínima 5, todos os vereadores da cidade estariam reprovados. É o que mostra um levantamento feito pelo Comércio, de 28 de maio a 28 de junho, que observou o comparecimento dos vereadores aos gabinetes.
Foram 22 dias de trabalho, divididos em dois períodos, manhã e tarde. O Comércio excluiu sábados, domingos e meio período das terças-feiras, quando acontecem as sessões. A reportagem visitou, todos os dias, às 9 horas e às 13 horas, os gabinetes para verificar quem estava presente. Além disso, duas ligações - uma no meio da manhã e outra no fim da tarde - confirmaram, com funcionários da Casa, quais vereadores passaram pela Câmara.
Nos 43 períodos avaliados, quem mais esteve presente - Joaquim Ribeiro (PSB), presidente da Casa, e Silas Cuba (PT) - conquistaram nota 3,7. Eles compareceram 16 vezes, 37,20% do total. Na seqüência aparecem Gilson Pelizaro (PT, 14 presenças e nota 3,3) e Marcelo Valim (PSDB, 12, nota 2,7). Na rabeira está Marcelo Caleiro (PMDB, nota zero), que não marcou presença no gabinete. Outros ausentes são Rui Engrácia (PSDB, uma presença, nota 0,2) e o pedetista Luis Carlos Fernandes, com duas presenças e nota 0,4.
Não é o primeiro levantamento feito pelo Comércio que reprova a atuação dos vereadores na Câmara. Nos quesitos pontualidade na chegada às sessões e apresentação de projetos, os vereadores também já haviam sido “reprovados”.
Repercussão
Para Joaquim Ribeiro, o fato de o vereador não estar sempre presente no gabinete pode ser relevado. “O vereador não precisa passar o tempo todo na Câmara. A freqüência é importante, mas é preciso ir a campo, ouvir o que a população necessita”, disse.
Já Cuba discorda. “É uma responsabilidade e dever. Além de visitarmos a população nos bairros, temos que atender no gabinete”, disse. Valim concorda. “É fundamental a presença do vereador em seu gabinete. É ali que se tem contato direto com os eleitores”.
Entre os que menos apareceram, justificativas. Fernandes acredita que o importante é atender nos bairros. “Eu não faço plantão na Câmara. Raramente vocês me encontrarão lá. Vou até os bairros para saber do que os moradores precisam”. Já Caleiro justifica: “Devido a minha função como delegado da Ciretran, não há possibilidade de ir outros dias. Para isto, há o intermédio do meu assessor”.
Para o professor de filosofia da Unicamp, Roberto Romero, a situação precisa ser mais bem analisada. “A freqüência do vereador no gabinete deve ser medida pela produção de leis e não por sua presença física”, disse. Para ele, se o representante público está ausente na Câmara, mas visita bairros, ele cumpre sua função. “O problema é não estar na Câmara nem ouvir a população”, finaliza.
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