Francanos tentam a vida no exterior


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Dilson Messias mostra a documentação para a viagem
Dilson Messias mostra a documentação para a viagem
Com salários tentadores em dólar ou euro, cada vez mais brasileiros têm deixado o país para tentar ganhar a vida no exterior. Em Franca, não é diferente. Em apenas uma agência de intercâmbio da cidade, 40 pessoas de Franca e região estão com a documentação preparada para o embarque. Em 60 dias, o grupo viajará com contratos assinados de, no mínimo, um ano. Mecânico de manutenção, Dilson Carlos Messias, 47, está com o passaporte preparado e conta os dias para viagem a Angola. Antes, tentou ir para o Japão, mas não teve êxito. “Tenho sobrinhos que conseguiram ir para o exterior e se deram bem. Uma delas mora no Japão há nove anos. Me espelhei neles na tentativa de melhorar a minha situação financeira”. Divorciado, pai de um casal de filhos, Messias mora no Jardim Guanabara e se diz preparado para o desafio. “A idade começa a avançar... Chega uma hora que é preciso fazer um balanço da vida. Quero comprar uma casa e quem sabe montar um negócio. Todos almejam essa estabilidade”. Empregado com registro e salário médio de R$ 1,3 mil, ele diz que não hesitou ao deixar tudo pela oportunidade de trabalhar no exterior. “Lá ganharei US$ 4 mil (cerca de R$ 8 mil) somente nas duas primeiras semanas. É mais do que o dobro do meu salário. Além disso, não terei despesas de alimentação e moradia”. Ele espera distrair a saudade com o trabalho. Dilson trabalhará como eletricista ou soldador numa plataforma de petróleo em Angola, na África. A carga de trabalho anunciada é de 12 horas diárias, sendo 15 dias de trabalho ininterruptos em alto-mar e 15 dias de folga em terra. A empresa exige noções básicas de inglês e oferece visto de trabalho de um ano, passagens aéreas, alimentação e moradia. Fernando Modesto Saval Melo, 53, morador no Jardim Santa Cruz, também integra o grupo que viajará ao exterior. Desempregado atualmente, ele espera ganhar mais experiência para o currículo de 33 anos ligados à construção civil. “Aqui a idade me atrapalha na hora de conseguir emprego, me chamam de velho. Com a experiência adquirida no exterior, poderei competir com os mais novos”. Com mulher, filhos e netos, Melo também pretende juntar dinheiro para garantir uma aposentadoria tranqüila. A empresa, a mesma de Dilson, oferece US$ 4 mil de início para todos os funcionários, mas, após avaliação de currículo e desempenho nas primeiras semanas, promete fazer uma adequação de salário de acordo com a experiência. “Sei que valerá a pena e que sentirei saudade da família, mas eles ficarão bem e torcendo por mim. Faz tempo que planejo essa viagem. É preciso arriscar, essa é a oportunidade”. Proprietária de uma antiga padaria da cidade, Cristina Jacintho é um exemplo que deu certo. Ela saiu de Franca rumo ao exterior, em 1999. Casada e mãe de duas filhas, deixou tudo. Ficou cinco anos na França, trabalhando como babá, até que voltou para acompanhar a gravidez de uma das filhas. “Com o nascimento do neto, ela resolveu levar toda a família para morar em Londres. Para ela, o exterior daria melhores condições para a criança crescer. Eles embarcaram em dezembro passado. Todos estão trabalhando e não pensam em retornar tão cedo”, disse a amiga da família, Laura de Oliveira.

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