A folha de pagamentos do funcionalismo municipal representa quase metade de toda a receita de Franca. Os salários dos servidores movimentam, todos os meses, R$ 6,6 milhões. Números interessantes, sobretudo, para o banco que se responsabilizar pelos pagamentos. Terá como clientes obrigatórios mais de 3,5 mil servidores públicos, com salários médios de R$ 1,8 mil.
Consciente do poder de barganha que possui, a Prefeitura resolveu abrir licitação para ceder o pacote e, com isso, conseguir algum dinheiro para financiar obras. É a chamada “venda de contas-salário”. Quer, com isso, faturar pelo menos R$ 10 milhões por um contrato de cinco anos. Por mais atrativo que pareça, na última semana, data prevista para abertura dos envelopes com as propostas dos bancos, ninguém fez oferta.
A razão para isso, segundo representantes dos bancos, teria sido uma falha nas informações do edital. O documento trazia um total de 3,5 mil servidores quando, na realidade, são 3,7 mil. Para o secretário de Finanças, Sebastião Ananias, houve uma “falha” nos números do RH (Recursos Humanos). “Ocorreu uma infelicidade de números informados e no valor da folha, que não tinham compatibilidade. Aí ficou difícil para os bancos fazerem propostas. Os dados foram refeitos pela Secretaria de Finanças e apontam os verdadeiros números”, disse Ananias.
Já o responsável pela Secretaria de Administração e RH, Jerônimo Sérgio Pinto, acredita que há outras razões para a ausência de propostas. “Acho ingenuidade pensar que os bancos desistiriam de uma licitação de R$ 10 milhões por causa de uma diferença tão pequena”, disse.
Um fator que pode ter espantado os bancos é um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional, do deputado Sandes Júnior (PP-GO), que prevê a proibição de exclusividade na contratação de bancos para depósitos de folha de pagamento. Pela matéria, a administração deverá ser feita por pelo menos três instituições diferentes, o que inviabilizaria o investimento dos bancos no negócio, já que, depois da licitação, teriam de dividir o serviço.
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