Em contrapartida aos (poucos) servidores públicos bem pagos, a maioria dos funcionários da Prefeitura não é tão bem remunerada e, não raro, passa por dificuldades financeiras. É o caso de 763 empregados do município, que recebem menos de R$ 1 mil por mês, ou pouco mais de metade da média salarial da Prefeitura (R$ 1,8 mil). Representam a fatia mais significativa do funcionalismo (21% do total), mas financeiramente não ultrapassam 9% da folha de salários.
Como muitos são arrimos de família, os apertos são comuns. E as dívidas, também. É o caso do ajudante-geral José Roberto Felipe, 53. “Estava sufocado e decidi pegar um empréstimo de R$ 1,5 mil.
A coisa apertou de novo e peguei mais R$ 2 mil. Agora, está complicado para pagar os dois. Ganho R$ 700 e não está dando”, disse Felipe, que tem mulher e cinco filhos, com idades entre 6 e 24 anos. Sem carro, vai trabalhar todos os dias de bicicleta.
Também ajudante-geral e com vencimentos de R$ 650, Gasparina de Melo, 46, também se vira como pode na casa que divide com três filhos e um neto. Todos os meses, tem de se virar para pagar pelo menos o necessário, como água, luz e fazer o supermercado. “Não está dando para viver. Não é fácil, viu? Além disso, trabalho seis dias da semana e só tenho uma folga”, disse.
Um terceiro servidor, que não quis se identificar, ganha em torno de R$ 800 e já pensa até em deixar o funcionalismo por conta do estresse. “É complicado. Tenho um monte de chefes, que ganham muito mais do que eu e não fazem nada. Já pensei em parar com isso e mudar de ramo”, disse. “De bom, só a estabilidade mesmo”.
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