Como em toda empresa ou instituição, a Prefeitura de Franca, pelo menos quando o assunto é honorários, também tem sua “tropa de elite”. São 141 servidores públicos com salários mensais acima de R$ 5 mil. O grupo representa 3,9% do funcionalismo. Seus vencimentos totalizam R$ 982 mil e preenchem quase 15% da folha salarial do município. Do outro lado da pirâmide, 763 pessoas ganham menos de R$ 1 mil mensais (21,3% do pessoal) e representam apenas 9% dos pagamentos.
Os integrantes dessa “elite” ganham mais que os secretários municipais (R$ 4,9 mil) e vereadores (R$ 4,3 mil). Muitos se igualam ou superam o ordenado do vice-prefeito, que recebe R$ 5,6 mil por mês. Só perdem para o prefeito, que tem vencimentos de R$ 11,2 mil e, por lei, tem de ter o maior salário da Prefeitura.
O grupo é formado, em grande parte, por integrantes dos mais variados setores e secretarias e é composto por servidores com muito tempo de casa. Os benefícios de ser empregado da Prefeitura fazem com que os salários “inchem” naturalmente.
Entre outros diferenciais, estão os reajustes qüinqüenais: a cada cinco anos, os ordenados mudam automaticamente de classe. “Não são regalias, mas benefícios legais que a legislação reserva aos funcionários públicos”, disse o secretário de Administração e Recursos Humanos, Jerônimo Sérgio Pinto.
Duas classes em especial, advogados e médicos, figuram entre os top salariais do emprego público na cidade. Por determinação de uma lei municipal complementar (01/1995), durante o governo de Ary Balieiro (do PTB, de 93 a 96), eles cumprem turnos diários enxutos, de apenas quatro horas. Como o tempo não é suficiente para muitas atividades, eles podem acumular duas jornadas e, claro, dois ordenados (em torno de R$ 2,5 mil cada). Com isso, sem depender de tempo de serviço, passam a casa dos R$ 5 mil mensais.
Também no governo de Balieiro, outro benefício foi agregado à categoria, principalmente aos bem relacionados com o petebista e seus sucessores na Prefeitura, o petista Gilmar Dominici (PT, entre 97 e 2004) e Sidnei Rocha, do PSDB (a partir de 2005). Os servidores concursados, a partir de então, que permanecem em cargo de confiança por períodos iguais ou superiores a sete anos incorporam o maior salário recebido em todo o período.
Colaborou Ana Carolina Costa
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