Novo desenho do Brasil


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Três dias acompanhando as discussões sobre agronegócios em Cuiabá passam a sensação de que o Brasil moderno está sendo incubado por aqui. Há mudanças expressivas em relação ao último grande processo de colonização brasileiro, o do norte do Paraná. A primeira, uma consciência ecológica muito mais desenvolvida do que os pioneiros do Paraná. Como me contava um paranaense que viveu aquele período lá e acompanha o atual aqui, a colonização se dava com tratores derrubando florestas empurrando as árvores para o rio. Agora, as regras da globalização obrigaram os agricultores a se aproximarem das ONGs e a assinar pactos inéditos de preservação ambiental, sob risco de perder os mercados europeus. * * * A segunda grande novidade dos tempos atuais é a mudança radical na empresa agrícola. Historicamente tinha-se a fazenda, em geral o plantio de uma única cultura, a colheita, com a atividade submetida a toda sorte de fatores de risco - climáticos, cambiais, sanitários, de oferta. Em países mais avançados, há consciência sobre a importância da atividade e os riscos inerentes ao setor. Por isso mesmo criam-se sistemas de seguro, crédito subsidiado e apoio em caso de desastres maiores. Por aqui, todo esse aparato foi destruído em cima de clichês - tipo "todo agricultor é chorão" - utilizados indiscriminadamente. Como defesa, os agricultores passaram a mudar as técnicas de plantio e a estrutura de produção. Hoje em dia parte relevante das fazendas tem várias culturas intercaladas, integração agricultura-pecuária e outros expedientes que ajudam a reduzir os riscos do negócio. A esse modelo somam-se, agora, possibilidades enormes trazidas pelas questões climáticas. É possível rentabilizar a atividade com reflorestamento, créditos de carbono, aportes de organizações internacionais em contrapartida à proteção ambiental. * * * Mais. Os avanços da vigilância sanitária, em nível global, permitiram a criação de diversas formas de certificação de fazendas e/ou regiões. Com a certificação, a produção ganha selos globais, que permite aos produtores criar selos, marcas e prospectar mercados por conta própria. Finalmente, a proximidade com demais países da América do Sul e as possibilidades de logística (com hidrovias e ferrovias, quando prontas) abrem espaços de ganhos crescentes. A combinação de menor volatilidade no empreendimento agrícola com novas formas de negócios e perspectivas de ganhos operacionais crescentes muda a natureza da empresa agrícola, e abre espaço para novos modelos de negócios, de financiamentos e de capitalização. * * * Hoje, o Estado de Mato Grosso está derrubado pela apreciação cambial, que ampliou agudamente o endividamento agrícola. Só que o leque de saídas é amplo. Poderia ser, por exem-plo, através de um projeto de financiamento internacional amarrado com compromissos de reflorestamento. O importante é entender que o agronegócio, por aqui, conta com um conjunto expressivo de novas possibilidades; com estrategistas pensando o longo prazo; e com uma massa de pequenos e médios agricultores abertos para mudanças. Ladeira abaixo - 1 Passado o impacto inicial da crise, o dólar descerá novamente aos níveis de antes da crise. Na sexta-feira, o JP Morgan melhorou a avaliação sobre o mercado de dívida dos países emergentes de "positivo" para "muito positivo". Diz o relatório que caiu o percentual de recursos dos clientes em papéis da dívida externa e interna dos países, enquanto a posição de depósitos à vista subiu de 3,8% para 4,9%. Ladeira abaixo - 2 Significa que os clientes venderam posição nesses países e deixaram o dinheiro disponível para ver onde aplicar. Com a recomendação de investimento, o dinheiro deverá voltar aos borbotões para os emergentes, resultando em nova rodada de apreciação das moedas nacionais. Na avaliação do Morgan, o Brasil continua pagando as mais altas taxas de juros do continente. O banco aposta que a Selic cairá apenas 0,25 ponto. CPI da TVA Está sendo proposta CPI para investigar a compra da TVA pela Telefônica. Segundo o deputado Wladimir Costa declarou à Agência Estado, a operação fere a legislação do setor de telecomunicações, a lei do consumidor e a soberania nacional. A Telefônica teria comprado a totalidade das ações da TVA, mas declarou à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) ter adquirido apenas 19,9%, segundo declarou à Agência Estado. Segundo tempo O segundo tempo da crise internacional começa agora. Aparentemente a parte mais braba - o terremoto - foi contida. No segundo tempo se avaliam as avarias nos diversos mercados e os efeitos da interrupção no mercado de crédito. O resultado será redução do ritmo de crescimento nos Estados Unidos, afetando os países que mais exportam para lá. Mas é cedo para avaliar a extensão dos estragos. mensalão De todos os personagens da história do "mensalão" nenhum foi tão trágico quanto o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizolatto. Ele foi acusado de receber R$ 300 mil, em um pacote que foi retirado por um boy em um banco. De fato, o boy foi retirar um pacote no banco. Além de ter exposto Pizolatto ao terremoto do "mensalão", quando abriu o pacote, era um monte de papel velho. E nem tem como e para quem reclamar.

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