A falta de amor-próprio é o que prevalece nesta história. É verdade que não se pode julgar, porque cada um sabe o que é melhor para si. O que é inaceitável é a “permissão” da vítima em sofrer tantas agressões. Este instinto passional fará dela uma escrava das torturas e visita constante na Delegacia da Mulher. Vivemos num mundo de transformações e revelações. Não é de hoje que ouvimos histórias de gente que sente prazer com a dor e de mulheres que são submissas ao extremo, capazes até de concordar com a morte para atender seus companheiros. Sobre a violência contra a mulher, eu penso que persistir independente de qualquer coisa é um erro. Acreditar em transformações do dia para a noite é um risco. Quem cala consente, mas quem denuncia e retrocede está à mercê de cumprir a pena ao invés do seu agressor. Reafirmo mais uma vez que o julgamento em casos assim é precipitado e assim como o poeta Renato Russo cantava por aí, “Quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração (...)”.
Irinéa Donizete
é integrante do Conselho de Leitores do Comércio
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