Escravos de Jó


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A visão histórica do trabalho chega com valor agregado, a começar pela etimologia da palavra derivada do latim, tripalium: instrumento de tortura formado por três paus, onde eram colocadas pessoas condenadas e animais difíceis de ferrar. Este marco talvez seja um dos responsáveis, ao longo dos tempos, da associação do trabalho à tortura, ao sofrimento, ou mesmo à pena. No Brasil semi-instruído, essa série histórica nos remete à Grécia Antiga, precursora da divisão social do trabalho, baseada na idéia do filósofo Platão de que aos melhores cabia a contemplação das idéias, o trabalho forçado ficava para os escravos, literalmente ferrados no tripalium. Esta divisão social, porém, não ficou na história. Os ‘ditos melhores’ sujeitam o empregado-escravo a condições de trabalho degradantes. Retenção de salários, a fraude, a violência física, o assédio moral, o aliciamento, o sistema de acumulação de dívidas das quais não conseguem se livrar nunca. Longas jornadas de trabalho, a supressão da liberdade de ir e vir, o não fornecimento de proteção, a falta de atendimento médico, a situação de doenças, adquiridas em face da mais absoluta falta de água e alimentação adequadas para consumo humano, enfim condições sub-humanas, como se fossem o resto da humanidade, encerrados nas senzalas do desprezo e humilhação. Estima-se que existam hoje no Brasil cerca de 30 mil trabalhadores submetidos a condições de trabalho escravo, dos quais 70% no Estado do Pará, com ocorrências verificadas em São Félix do Xingu e Santana do Araguaia. No ano 2000 foram libertados 465 trabalhadores após denúncias. Em 2001, 2.416 e em 2002, 4.413 trabalhadores rurais. Os últimos dados apontam para aproximadamente 5.569 casos. As estatísticas aumentaram porque as denúncias foram encorajadas, e com certeza ano a ano estupefatos testemunharemos a progressão desses números. Por outro lado, o trabalho doméstico tem se constituído numa modalidade urbana de trabalho escravo, com agravante da complacência da sociedade que faz de conta que não o vê, e nem quer entender ou mesmo explicar. Oito milhões de pessoas na sua grande maioria mulheres negras e com baixo nível de escolaridade. Empregando mais do que a construção civil, dois terços dos empregadores não pagam encargos sociais e mais de 80% de empregados não têm carteira assinada.Acrescente-se a isto tudo, a escravidão nos mesmos moldes de cerceamento de liberdade, 502 mil crianças e adolescentes, que sofrem assédio moral, violência física e psicológica, estupro, tortura psicológica, humilhações, agressões físicas verbais, e também racismo. A denúncia e apuração são muito difíceis, em razão dessas ocorrências se darem no espaço culturalmente resguardado de intervenções internas que são as residências. O Ministério do Trabalho não fiscaliza residências, e ninguém vai denunciar seus próprios parentes, logo, justifica o significado de tripalium, tortura, sofrimento e castigo. Castigo por serem homens, mulheres, negros e negras, crianças pobres e analfabetos, porém, sem a mesma sorte de ser feliz que teve o presidente! Por isso tudo é que... dá vergonha de ser feliz, dá sim... PAUSA PARA O CAFÉ Liberar o homem da escravidão pelo trabalho e o trabalho do significado de mortificação e tortura (tripalium) faz parte de uma pauta muito mais ampla de conquistas sociais, tendo em vista a ressignificação dessa atividade, que tem a função histórica de promover o homem como ser autônomo, criativo e de solidariedade. Falou e disse o professor Ronaldo Marcos de Lima Araújo. E isso durante este café que não conseguimos degustar só de pensá-lo como produto de mão-de-obra escrava. Perdemos o gosto. Protesto in memoriam! LISTA SUJA O Ministério do Trabalho, de acordo com a portaria 540/2004, ou seja, o Cadastro dos Empregadores, tem uma lista de empregadores que contém os nomes de infratores flagrados explorando trabalhadores na condição análoga à de escravos. Os responsáveis não poderão ter acesso a recursos financeiros de instituições estatais, perderão direitos a benefícios fiscais, além de outros. Será que vale para ministros-companheiros, ou só para reles mortais? SAIA-JUSTA Chefes de Executivos vão enfrentar situação, se não constrangedora, com certeza de muitas e obrigatórias negociações políticas. E haja concessões... E viva a Pátria amada Brasil! A desincompatibilização é preceito constitucional e candidatos à reeleição vão ter que deixar o trono vago. ‘Que rei sou eu então sem reinado e sem coroa?’ Será que assim dá para ganhar? CIDADANIA TAMBÉM É.... Permitir a gordinhas viverem intensamente o caminhar rumo à geladeira. Remar contra a maré não vale, melhor é viver este impulso plenamente. Da porta da esperança que a sensação de abrir uma porta lacrada pela sucção das borrachas que a emolduram e das muitas opções que por detrás desta porta se configuram em mousses, doces e tortas geladas de diversos sabores. Um universo de experiências, mesclando combinações e gostos diferentes.Tal qual arca sagrada sob a forma de geladeira, ponto principal da casa, no seu interior a felicidade sem par, pura endorfina. Neste percurso qual sacerdotisa sagrada em grande marcha rumo a suprema felicidade!

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