Crime macabro


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Acompanhado por policiais civis, Daniel Sanches voltou ao local do crime, ontem, e mostrou como ajudou o tio a sepultar o corpo do lavrador no quintal da residência
Acompanhado por policiais civis, Daniel Sanches voltou ao local do crime, ontem, e mostrou como ajudou o tio a sepultar o corpo do lavrador no quintal da residência
A história a seguir revela a banalização do crime e a falta de escrúpulos dos bandidos que aterrorizam Franca. Dois homens matam um agricultor com requintes de crueldade e o enterram no quintal de casa. Têm o cuidado de cimentar a sepultura clandestina para dificultar a localização do corpo. Menos de 48 horas depois, voltam a agir e invadem um supermercado para roubar. Espancam o proprietário e sua mulher. Segundo a polícia, os autores da barbárie são Paulo Sérgio Sanches Molina, 36, o “Mexerica”, e seu sobrinho Daniel Sanches Sampaio, 22, o “Dani”. Ambos estão atrás das grades. Os crimes em seqüência aconteceram no Natal do ano passado e foram esclarecidos ontem pela equipe de homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), comandada pelo delegado Wanir José da Silveira Júnior. Tudo começou no dia 25 de dezembro, quando o agricultor João Vitalino Moreira Neto, 28, o “Beto” desapareceu de casa. Quatro meses se passaram e nenhuma notícia. No dia 30 de abril, os policiais receberam a denúncia de que ele havia sido morto e enterrado em uma casa da Rua Benedito Merlino, Jardim Guanabara. Fizeram escavações no terreno e encontraram a ossada. O corpo estava de lado e com os pés amarrados com cordões. Os assassinos haviam vestido uma camisa preta na cabeça da vítima. O agricultor foi morto às 13 horas do dia 26 de dezembro. Às 21h30 do dia 28, os assassinos invadiram a residência do comerciante Aparecido Maldonado Ponce, 68, anexa ao Supermercado São Paulo, e agrediram a coronhadas a mulher dele, Maria Norma Ponce, 63. Ao ouvir o barulho, funcionários acionaram a Polícia Militar, que conseguiu prender os bandidos em flagrante. Houve resistência e troca de tiros. Paulo Sérgio foi baleado no braço. Até, então, a participação deles na morte de João Vitalino era desconhecida. Dias após o encontro do corpo do agricultor, os policiais da DIG receberam denúncia anônima informando que a dupla de assaltantes seria os autores do assassinato. “Conversamos com testemunhas e descobrimos que, na época do crime, o Paulo e seu sobrinho estavam morando na residência em que a vítima foi enterrada. Como os autores estavam em penitenciárias no interior do Estado, a investigação foi um pouco mais demorada. Conduzidos à delegacia, tentaram negar a autoria, mas, diante das provas juntadas, acabaram confessando”, contou o investigador Wellington Amato. Segundo o policial, o relato de testemunhas que viram os acusados na casa no dia do crime foi decisivo para o esclarecimento do caso. Daniel alegou que apenas ajudou o tio a enterrar o corpo. Paulo Sérgio, por sua vez, se negou a dar detalhes, dizendo que falaria apenas em juízo. A motivação seria passional. “O Paulo premeditou o crime. Ele havia recebido a notícia de que a vítima teria saído com a ex-mulher dele. Ela também estava na casa e só não morreu porque conseguiu fugir”, completou Amato.

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