Há duas revoluções em curso na agricultura brasileira, pouco notadas, mas que ajudaram o agronegócio a chegar onde chegou e permitirão, nos próximos anos, saltos maiores dentro do conceito de auto-sustentabilidade.
Nesse País de tantos falsos heróis, apenas os homens do campo reconhecem os pioneiros da grande revolução do agronegócio.
Uma das revoluções foi o Plantio Direto, que acabou com as queimadas na agricultura e permitiu o primeiro grande salto tecnológico nas formas de cultivo - paralelamente aos avanços da Embrapa.
Como explica o leitor Adauto, o plantio direto permite menor revolvimento do solo pela não utilização de arado ou grades, contribuindo para menor erosão e menor compactação do solo. Desta forma, a palha de uma safra se acumula atrás da outra, melhorando as condições físicas e orgânicas, favorecendo a absorção de água e o aprofundamento das raízes.
Nas lavouras tradicionais, como soja e milho, diz ele, não se usa há muitos anos a queimada. O arado foi importado da Europa, onde era obrigatório devido ao inverno rigoroso. Havia a necessidade de inverter as camadas do solo para que houvesse aquecimento mais rápido.
O Brasil acabou importando um modelo que não era adequado para um país tropical.
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A revolução começou em 1972, quando o agricultor Herbert Bartz, de Rolândia (PR), segundo conta o leitor Walder Paula, baseado em tecnologia desenvolvida no Kentucky, importou equipamentos e iniciou o PD (plantio direto) em sua propriedade. Ao mesmo tempo, Nonô Pereira e Frank Dijkstra iniciaram o PD nos campos gerais de Ponta Grossa (PR).
Antes do PD, foram cometidas verdadeiras barbaridades ecológicas, conta o leitor Walder. Em Rondonópolis, sua região, houve uma erosão eólica das piores, que acabou revertida com a propagação do Plantio Direto.
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Explica o leitor Roberto Barbosa que o PD ajudou o produtor rural não só a aumentar a produtividade, como a diminuir a erosão do solo pela manutenção de uma camada protetora de restos vegetais das safras anteriores.
A queimada está mais ligada à pecuária, diz ele. Com a integração pecuária-agricultura, o pecuarista/agricultor planta soja em PD, não queima o solo e semeia capim após a colheita do grão.
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E aí se entra na segunda grande revolução, que é a integração lavoura-pecuária com plantio direto, cujo maior propagador é outro herói da agricultura brasileira, John Landers, coordenador de Novos Projetos e Relações Internacionais.
Estudos minuciosos realizados na área do Cerrado mostraram que havia ganhos consideráveis com a chamada rotatividade de culturas. Depois, se agregou o Plantio Direto. Finalmente, incluiu-se a rotatividade lavoura-pecuária. O modelo permite, por exemplo, plantar uma oleaginosa, tirar o óleo, usar a palha para fertilizar a terra e o bagaço para fazer ração.
Além da melhoria da rentabilidade, esse processo confere à agropecuária uma estabilidade econômica inédita em termos mundiais, mudando formato de financiamento e a própria lógica econômica do campo.
OS PIONEIROS
Segundo o leitor Alexandre Porto, papel relevante teve também a agrônoma Ana Maria Primavesi que sistematizou e deu consistência teórica à técnica em seu revolucionário livro, Manejo Ecológico do Solo, lançado em 1979. Ela expôs com clareza a diferença entre as características do solo tropical e temperado. Explica ele: “Nós ainda vivemos no conflito entre a técnica de aração européia e da coivara indígena, ambos relativamente danosos à conservação do solo e do meio ambiente como um todo”.
ECOLOGIA - 1
Franz Claassens é presidente da Força Tarefa Holandesa de Soja Sustentável. Junta as principais multinacionai que atuam na cadeia produtiva da soja. Faz parte também da Agência de Promoção e Informações Sobre Margarina, Gordura e Óleos. Sua preocupação maior é com as questões ambientais brasileiras, por uma razão objetiva: cada vez mais consumidores e ONGs estão definindo as regras para a compra de alimentos.
ECOLOGIA - 2
Cada vez mais, os consumidores - especialmente os europeus - estão incluindo questões cada vez mais civilizatórias na análise das práticas das empresas. Quem define o que é politicamente correto são consumidores e ONGs, diz ele. Três temas são particularmente sensíveis: (1) Destruição da biodiversidade na Amazônia. (2) Práticas agrícolas não sustentáveis. (3) Questões sociais: como posse de terra. Nos últimos anos, foram desenvolvidas várias metodologias para certificação de fazendas ou regiões, visando qualificar fazendas ou regiões das diversas culturas.
ECOLOGIA - 3
Desde que o governador Blairo Maggi foi apontado mundialmente como destruidor de florestas, muita coisa foi feita, não apenas em Mato Grosso, para criar uma imagem de auto-sustentabilidade na América Latina. Dentre as boas práticas já adotadas, a incorporação dos princípios da CAAPAS (Confederación de Asociaciones Americanas para la Producción de la Agricultura Sustentable), a Lei de Desmatamento Zero, no Paraguai.
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