Sem-terra completam 15 dias de ocupação e prometem resistir


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Uma das tarefas do sem-terra João Batista Alves é lavar a louça do almoço: “Pelo menos eu não fico o dia todo parado”
Uma das tarefas do sem-terra João Batista Alves é lavar a louça do almoço: “Pelo menos eu não fico o dia todo parado”
Francislene Cristina de Souza, 22, quer recomeçar a vida. O lugar que escolheu foi um acampamento do MST (Movimento dos Sem-Terra). Está cheia de esperanças. Com o filho de 2 anos, Víctor Hugo, Francislene se mudou há quatro dias para o acampamento dos sem-terra na Fazenda Miraflor, localizada na Estrada Velha Franca/Batatais. Na bagagem, levou apenas colchão e roupas. Está morando num barraco de lona preta com uma parente. “Em Franca, eu estava desempregada e não me entendia com minha mãe. Aqui fui bem recebida”, disse ela. Assim como Francislene, outras 70 pessoas pensam e agem da mesma forma. O grupo, que invadiu a propriedade no dia 10 de agosto, nutre a esperança de conseguir um “pedacinho de terra” para plantar. Isaías Aparecido Crispim, 34, um dos líderes do grupo, disse que as famílias não pretendem deixar a área. “O acampamento só está aumentando. Estamos fazendo o cadastro de famílias interessadas em aderir ao movimento. Acredito que vamos receber mais cem pessoas nos próximos dias”. As dificuldades enfrentadas no acampamento não são poucas. Não há árvores no local. As famílias precisam ficar no sol ou embaixo de barracos de lona, que, em dias quentes, chegam a registrar mais de 30 graus. Outro problema é a falta de água. “Precisamos andar mais de 300 metros para pegar água”, disse Francislene. O grupo se mantém unido. A comida é feita coletivamente na cozinha comunitária. Uma das cozinheiras é Maria Aparecida Feron, 59. Ela saiu de Cristais Paulista para se juntar ao movimento. “Meus filhos não aprovaram muito, mas também não impediram. Estou melhor aqui do que em Cristais. Aqui fiz amigos e não tenho que pagar aluguel”, disse Maria Aparecida. O futuro vizinho de Maria será Bruno Santana, 21, de Franca. Ontem, pela manhã, ele montava o barraco de lona. “Essa é minha primeira ocupação e gostei muito. Pretendo continuar no movimento porque sonho em conseguir um lote”. JUSTIÇA Diante da recusa dos sem-terra em deixar a Fazenda Miraflor, os proprietários da fazenda já conseguiram a reintegração de posse concedida no início da semana pela Justiça. “Inclusive conseguimos autorização para solicitar força policial no caso de resistência em deixar a área”, disse o advogado da família, Antônio de Pádua. A notificação para que o grupo saia da fazenda deve ser entregue hoje. A partir daí será questão de horas. “Ainda não fomos informados de nada. Só depois vamos nos reunir e decidir o que será feito”, disse Isaías.

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