O comerciante Ednilson de Paula, 37, preso há uma semana acusado de ser o principal financiador de uma quadrilha de tráfico de drogas ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital), sofreu mais um duro golpe ontem: atendendo a um pedido da Polícia Civil, a Justiça quebrou o sigilo bancário e fiscal dele e da mulher. O casal será investigado sob a suspeita de lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. Dono de uma revenda na Rua Evangelista de Lima, Ednilson, segundo a polícia, fornecia veículos para traficantes trocarem por entorpecentes. Recebia em troca valores acima dos praticados pelo mercado. O delegado Pedro Luiz Dallaqua fala a respeito.
Comércio - Em que estágio estão as investigações?
Pedro Dallaqua - Nós representamos ao juiz e ele acatou o nosso pedindo, quebrando o sigilo bancário e fiscal do suspeito para que possamos investigar, também, além do tráfico de drogas, os crimes de lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. Pelo que já apuramos no decorrer das investigações, existem indícios de que ele possa ter cometido esses outros dois delitos.
Comércio - Outras pessoas da família do comerciante podem estar envolvidas?
Pedro Dallaqua - Nós também investigamos a mulher dele. Por isso, seu sigilo também foi quebrado.
Comércio - Qual seria a participação dela?
Pedro Dallaqua - Estamos investigando a movimentação bancária dela. O juiz já determinou que o banco forneça todas as informações que solicitarmos.
Comércio - O que significa a quebra do sigilo bancário?
Pedro Dallaqua - O juiz determinou o bloqueio das contas de forma que as pessoas não possam fazer nenhuma movimentação. Estão proibidos de sacar, depositar ou fazer transferências. Estamos aguardando os extratos. Pelo que já apuramos, a movimentação financeira era intensa e incompatível com as posses deles.
Comércio - A mulher do comerciante também pode ser presa?
Pedro Dallaqua - Vamos analisar isso. Dependemos, agora, da documentação bancária.
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