Agroenergia e ambientalismo


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Mato Grosso responde por 8% da produção mundial de soja, mais de 30% da produção brasileira. E parte dessa produção ocorre em regiões da Amazônia legal. Nos últimos anos, houve campanha cerrada na Europa contra a soja que proviesse da Amazônia, especialmente de novas regiões abertas na selva. Foi um movimento bastante estimulado pelas ONGs e que começou a afetar as nossas exportações. Por isso mesmo, o tema tornou-se prioritário para a Câmara Setorial da Cadeia de Oleaginosas e Biodiesel, criada pelo ex-Ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. * * * Ontem, em Cuiabá, na véspera do início da Bienal do Agronegócio, a Câmara se reuniu para discutir, entre outros temas, a questão ambiental. Coordenador de um dos fóruns e representante da Abiove, Carlos Lovatelli descreveu os resultados de uma mudança estratégica, na qual o setor resolveu se antecipar aos ambientalistas. A Abiove decretou uma moratória de dois anos, período no qual seus associados não adquiririam soja de áreas desmatadas posteriormente a 24 de junho de 2006. Em seguida, chamou as ONGs para participar do processo. Como 47% das biomas da Amazônia estão em terra devolutas, não dariam conta do recado sem a participação do governo. No mês passado, foi organizado um evento internacional, via Internet, com a participação de grandes clientes europeus, produtores nacionais e membros do governos, no qual todas as questões foram tratadas abertamente. Em seguida, Abiove e Greenpace foram até a Casa Civil para solicitar um interlocutor que pudesse, do lado do governo, auxiliar a monitorar a questão ambiental. * * * Para ampliar a decisão, quando se negociou a moratória para o setor da soja, decidiu-se que, para entrar com o pedido, o agricultor teria que se comprometer a não plantar soja em terrenos na Amazônia legal desbravados após 24 de junho. Na verdade, o impacto é maior sobre o preço da terra do que da produção. É pequeno o percentual de soja plantada na Amazônia, a maior parte da qual em cima de pastos abertos muito antes da data de corte. Mesmo as novas áreas abertas só começarão a produzir daqui a cinco anos, pelo menos. Mesmo assim, serviu para marcar posição. O resultado foi a redução drástica do número de reclamações dos compradores europeus - apesar de, na reunião internacional, terem faltado os compradores americanos e japoneses. * * * Esse movimento deverá se ampliar esta semana, quando os produtores mato-grossenses deverão assinar com o governo do Estado um pacto para Recuperação das Áreas de Proteção. Em um movimento paralelo, as associações de produtores locais já estão disseminando selos e certificações ambientais, com o qual cada propriedade certificada poderá vender livremente sua produção, sem as barreiras sanitárias e, agora, ambientais. VISITA DO FMI A turbulência no mercado financeiro internacional pode fazer o FMI (Fundo Monetário Internacional) revisar para baixo sua previsão atual de crescimento da economia mundial de 5% para 2007 e 2008, afirmou ontem em São Paulo o diretor-gerente do organismo, o espanhol Rodrigo de Rato. Ele afirmou que, se ocorrer, tal redução não será “dramática”. “É possível que a projeção seja revisada. Nós falamos há poucas semanas de um crescimento ao redor de 5%. A revisão poderia nos levar a um crescimento ligeiramente abaixo, que em todo caso continuaria sendo o sexto ano consecutivo de crescimento no mundo”. Rato declarou também que as correções poderiam ser “muito pequenas” no caso de alguns países. Especificamente sobre o Brasil, o representante do Fundo declarou que o País está em boa situação. “Há 10 anos, a crise de uma economia emergente como a Rússia afetou o Brasil de uma maneira considerável. Agora, uma crise financeira na primeira economia do mundo não está afetando o Brasil. Isso reflete os avanços em estabilidade macroeconômica do País”. Na noite de ontem, o diretor-gerente do organismo internacional participou do III Congresso Internacional de Derivados e Mercado Financeiro, promovido pela BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) em Campos do Jordão (no Estado de SP). BRASIL X EUA O Brasil informou ontem ter ficado insatisfeito com as explicações dadas pelos EUA no painel da OMC (Organização Mundial do Comércio) que analisa os subsídios dados pelo governo americano aos produtores agrícolas do país. Para Flavio Marega, coordenador-geral de Contenciosos do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, as informações das autoridades americanas foram “insuficientes e vagas”. Ele disse também que o país deverá decidir nas “próximas semanas ou meses” se pedirá à OMC para iniciar um processo formal sobre a ajuda dos EUA a seus agricultores. Segundo o Brasil, entre 1999 e 2005, os EUA excederam em seis oportunidades o teto anual de US$ 19,1 bilhões para subsídios aos produtores agrícolas. Os EUA garantem que seus pagamentos estão de acordo com as regras da OMC. O painel realizado ontem em Genebra (Suíça) é uma tentativa para que as discussões não avancem para uma investigação formal. A ação brasileira corre em conjunto com reclamação semelhante feita pelo Canadá. Em 2004, a OMC determinou, após reclamação brasileira, que parte do programa de apoio ao algodão dos EUA era ilegal e teria que ser alterado. No entanto, a decisão ainda não foi implementada pelos EUA.

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