Cinco anos. Furtou dinheiro. Levou surra da mãe


| Tempo de leitura: 3 min
O garoto de cinco anos ficou com lesões nas costas após levar golpes de correia desferidos pela mãe
O garoto de cinco anos ficou com lesões nas costas após levar golpes de correia desferidos pela mãe
A diarista JGL, 25, moradora do Jardim Santa Bárbara, zona sul de Franca, tornou-se a pivô de uma grande polêmica e reacendeu uma velha discussão: qual a melhor maneira de se corrigir um filho? A mulher descobriu que o seu filho de apenas 5 anos havia furtado dinheiro na escola e na casa da avó. Alega ter ficado enfurecida e dado “correadas” nas costas do menino para educá-lo. O caso foi denunciado à polícia e a mãe, acusada de maus-tratos. Pode parar na cadeia caso seja condenada. A ocorrência veio à tona no fim da tarde de segunda-feira. Aluno de uma pré-escola do Jardim Aeroporto, o menino levantou a camisa e mostrou as costas cheias de vergões à professora. Contou que havia apanhado da mãe. “Fomos acionados e constatamos a violência. Por isso, decidimos encaminhar a mulher para o Plantão Policial. Ela disse que sua intenção era apenas corrigir o filho e que não teve noção da gravidade”, contou a conselheira tutelar Gláucia Machado Limonti. Ao contar as peripécias da pequena vítima, a diarista surpreendeu os policiais. Num intervalo de apenas 15 dias, o garoto de 5 anos teria feito dois furtos de dinheiro. Segundo ela, a primeira ocorrência se deu na escola em que o garoto estuda, de onde tirou R$ 50 da bolsa da professora. No sábado, o menino subtraiu R$ 10 da avó. A prática teria sido incentivada por colegas da rua. Disse ter usado o dinheiro para jogar videogame perto de sua casa. “Quando a professora me contou que ele havia mexido na bolsa dela, perdi a cabeça. Fiquei cega de raiva e queria saber onde estava o dinheiro. Foi quando bati nele. Agora estou arrependida, mas, na hora, queria apenas corrigi-lo”. Após prestar depoimento, JGL foi liberada e se comprometeu a comparecer à delegacia e ao Fórum quando intimada. Na tarde de ontem, ela levou o filho para passar pelo exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico-Legal). Dos seis vergões possíveis de serem vistos nas costas dele, dois tinham sinais mais evidentes. O caso foi registrado como maus-tratos. A pena prevista para este tipo de crime vai de dois meses a um ano de detenção ou multa. Caberá à delegada Graciela, responsável pela DDM, apurar a ocorrência. “Vou chamar a mãe para conversar e verificar se houve abuso. A pessoa tem todo o direito de educar, mas não pode exagerar, não pode abusar dos meios de correção. Dependendo do apurado, encaminharemos o caso à Justiça”. Como alegou que pretendia apenas corrigir o filho e não tem históricos anteriores de violência, a diarista deverá ser apenas orientada a agir com moderação. “O juiz pode entender que houve erro de tipo, ou seja, a pessoa achava que ao bater no filho para corrigi-lo não estava cometendo crime. Nesse caso, pode deixar de aplicar as penas previstas e apenas adverti-la”, explica o delegado Wanir José da Silveira Júnior. O Conselho Tutelar informou que acompanhará a família mensalmente e que encaminhará o garoto para atendimento psicológico. “Não é fácil educar um filho. Às vezes, a gente passa dos limites. Acho que foi o que aconteceu comigo”, lamentou a mãe da criança.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários