Apesar de jovem, JGL é mãe de quatro filhos. O garoto da reportagem é justamente o mais velho. Na seqüência a escadinha: uma menina de 2 anos, outra de 2 e uma de apenas 3 meses. Quando tem serviço, a diarista ganha R$ 50 pelo dia de trabalho. Também se vira colando peças de calçados. O marido é servente de pedreiro. Está desempregado. O casal e os filhos se amontoam em um quarto, também usado como sala. Uma TV, um berço e um velho armário de madeira resumem a ornamentação do ambiente.
Comércio - O que aconteceu?
JGL - No sábado, minha sogra saiu e ele mexeu nas coisas dela. Pegou R$ 10. A gente pergunta e ele não sabe explicar. Diz que gastou jogando videogame. A professora me chamou ontem (segunda-feira) na escola e falou que ele tinha tirado R$ 50 da bolsa dela. Foi quando perdi a cabeça e bati nele.
Comércio - Como bateu?
JGL - De cinta, nas costas. É a primeira vez que bato nele. Dei umas quatro ou cinco cintadas, daí, meu marido entrou na frente. Perdi a cabeça e fiquei cega de raiva. Ele disse que foram os colegas da rua que pediram para fazer isso. Se não fizesse, bateriam nele.
Comércio - Seu filho sempre brinca na rua?
JGL - Eu trabalho fora e não tenho como ficar olhando ele o tempo todo. Trancamos o portão, mas ele abre e foge para brincar. Agora, ele está de castigo e ficará direto dentro de casa. Estou arrependida e vamos procurar a ajuda de um psicólogo.
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