Uma crise de energia ameaça o mundo, enquanto perdemos tempo discutindo, os alemães estão fazendo etanol com as sobras de queijo que eram jogadas fora. Vemos a crise de energia que a Argentina está vivendo no inverno mais rigoroso dos últimos 45 anos, ocasionada pela falta de investimentos em novas usinas e em transmissão. Curiosamente, o sistema elétrico depende de linhas de interconexão e a única existente é com o Brasil que tem capacidade de 1000 MW.
O que está acontecendo será um problema mundial devido ao crescimento da população mundial e do consumo de energia que deverá aumentar em mais de 50% nos próximos 25 anos. A crise também afeta os Estados Unidos e o mundo. Esse é o resultado de um estudo de 476 páginas que contou com 350 participantes e recebeu sugestões de mais de mil pessoas.
A primeira recomendação do relatório sugere ao governo americano, e que vale para todos, modere o consumo de energia aumentando a economia de combustíveis e melhorando a eficiência em prédios e lares. E, ainda, diz que as companhias de petróleo e governos precisam capturar e tratar as emissões de carbono.
Essa crise mundial é a maior oportunidade que nosso país jamais teve. Podemos ser o único país do mundo com energia disponível. Mas o que se vê? A nação discute se deve optar por hidrelétricas ou por usinas nucleares e demonstra medo da expansão da cana-de-açúcar. A meu ver, discute de forma errada.
A prioridade deve ser uma energia desperdiçada, a co-geração de eletricidade pelas usinas de álcool usando o bagaço de cana. Para se ter uma idéia, cada usina pode gerar de 30 a 60 MW. Só o Estado de SP tem 400 usinas ou 12.000 MW no mínimo, ou nove usinas nucleares do tipo Angra 2. A geração de energia pode ser feita no período da seca, poupando as hidrelétricas. E ainda pode-se ganhar créditos de carbono.
É preciso que se regulamente e incentive a geração de energia pelas usinas. Os governos estaduais e estatais também podem ser incentivados a comprar preferencialmente a energia proveniente do bagaço.
A outra preocupação, da Europa principalmente, refere-se à expansão da cana-de-açúcar sobre as florestas e sobre as plantações de alimentos. Podemos aumentar a produtividade do canavial, quase dobrar, apenas irrigando. E se utilizarmos tecnologias israelenses, gastaremos apenas um décimo da água necessária hoje em dia. Ganharemos muito, principalmente na logística e ainda mais créditos de carbono.
Para se ter uma idéia, o mundo está agindo rápido. Uma fábrica de laticínios alemã vai reprocessar o soro produzido no processo de manufatura do queijo, convertendo-o em 10 milhões de litros de etanol.
O produtor ainda afirma que o etanol de leite tem a vantagem de ter menor impacto no meio ambiente que o álcool vegetal. Além disso, grande parte do gás carbônico da fermentação é aproveitado.
MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano
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