Jovens trocam balada para ajudar o próximo


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Pelo menos uma vez por semana, a balada de dois jovens, entre 20 e 23 anos, é bem diferente de outros da mesma faixa etária. Em vez da companhia dos amigos, namorados, paqueras ou festas, eles preferem dedicar quatro horas do tempo para ouvir pessoas que estão em depressão, que têm problemas com dívidas, drogas ou pensamentos suicidas. Todo atendimento é mantido em sigilo. Mayara e Robério são estes jovens. Eles são voluntários do CVV (Programa Emocional de Valorização da Vida). Numa sala fechada, pequena e isolada, eles realizam os atendimentos pelo telefone 141 em horários diferentes. Existe uma escala de plantões que é planejada semanalmente. A dupla faz parte de uma minoria. Dos 38 voluntários que o CVV Franca possui hoje, apenas os dois são jovens. Há sete meses no grupo, a estudante Mayara sempre gostou da idéia do trabalho voluntário e aprova a proposta do CVV. “Gosto da idéia de se doar a alguém em benefício de uma causa nobre. Valorizo muito a oportunidade que tenho de poder ajudar o próximo. Por isso, quando ouvi no rádio o grupo convocando novos voluntários, não pensei duas vezes em ser uma integrante desta equipe”. Robério, 23, é formado em ciências contábeis. Ele conta que sempre ouviu falar das ações desenvolvidas pelo CVV, e um dia teve a curiosidade de conhecer mais a fundo o propósito do grupo. “Quando me tornei voluntário, vim com o intuito de ajudar o próximo porque acreditava que não tinha problemas. Na verdade eu os tinha, mas não os reconhecia. Hoje, após dois anos de trabalho prestado, aprendi a respeitar mais os outros e a saber ouvir as pessoas”. ESTRUTURA Todos os membros do CVV Franca são leigos. Nenhum deles estudou psicologia. Porém, antes de realizar atendimentos, o grupo é selecionado num curso de capacitação que ocorre duas vezes por ano. O curso tem a duração de oito horas e pode ser realizado em dois sábados e domingos, quatro horas cada um. Ou ainda, por quatro dias durante a semana. Os candidatos a colaboradores precisam ter no mínimo 18 anos, ser alfabetizados e ter disponibilidade para reuniões e plantões de quatro horas por semana. Durante este período recebem ligações e escutam o que a outra pessoa da linha tem a dizer, mas não dão conselhos. “Acreditamos na terapia do desabafo, uma medida que pode até apresentar resultados a longo prazo, mas ela é muito eficaz. É difícil termos um retorno das pessoas atendidas, geralmente elas não ligam pra gente agradecendo pela ajuda, porém, percebemos que no final do telefonema eles estão melhores”, ressaltou Robério. Os atendimentos podem ocorrer também pessoalmente, em duas salas separadas. Nelas só tem acesso o voluntário e quem precisa de ajuda. A sede onde o centro está instalado é uma casa cedida pela Prefeitura. São duas salas para atendimento pessoal, duas para atendimento por telefone, uma cozinha e um escritório, onde está a parte administrativa do Programa. O governo municipal disponibiliza ainda uma verba de R$ 9 mil por ano. O dinheiro é investido em materiais de divulgação, cursos de capacitação de voluntários, despesas com telefone, manutenção do prédio e realização de eventos. O grupo gasta cerca de R$ 1 mil por mês. O CVV fica na Rua Carlos do Carmo, 419, Cidade Nova.

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