Vida de feirante


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“Chega mais, minha senhora, e fique à vontade. A maçã é só um real. Aproveite a promoção. Aqui moça bonita não paga..... mas também não leva!”. Frases como estas são típicas de pessoas que trabalham entre frutas, verduras e legumes e não medem esforços para atrair os clientes. Em meio às bancas e lonas, eles tomam conta da rua e não há quem não os conheça. Eles são os feirantes. A maioria, assim como Rodrigo Carreiras, 25, trabalha de segunda a segunda, em média 12 horas por dia. Rodrigo acorda às 3h40, pega o caminhão e sai com destino a um dos seis pontos da cidade onde as feiras acontecem. Às 6h30, já está tudo pronto. Os primeiros clientes começam a aparecer. Por volta do meio-dia, ele, o pai, que trabalha na feira há quase 35 anos, e o irmão, que desde pequeno também é feirante, desmontam a tenda e almoçam ali mesmo. À tarde, ele ainda não está dispensado e começa a segunda etapa do seu dia. “Como ficamos na feira a manhã inteira, é durante a tarde que fazemos as compras e selecionamos os alimentos para o dia seguinte. Além disso, tenho bastante pedidos de entrega para fazer nesse período. Meu dia só acaba umas 18 horas”. Rodrigo diz que a rotina é puxada, mas nem mesmo os dias de chuva, quando acordar de manhã fica mais difícil e o movimento cai cerca de 50%, o fazem desistir da profissão. “Não sou feirante por falta de oferta de emprego. Eu gosto muito do que faço”. Para ele, a profissão vale a pena não só pelo salário, que chega a mil reais por mês, mas, principalmente, pela amizade e relação de cumplicidade que estabelece com os clientes. “Eu trabalho na feira há mais de 14 anos e muitos clientes me conhecem desde pequeno. Eles passam a ser nossos amigos. Isso é muito legal e gratificante”. Mas ser um bom feirante e ganhar a confiança dos consumidores não é para qualquer um. A profissão não exige cursos específicos, mas há alguns requisitos básicos que fazem toda a diferença para o sucesso profissional. “Saber oferecer e vender um produto não deixa de ser um dom. A pessoa precisa ser simpática e educada”. Para o ajudante geral de uma loja comercial, Liemers Sandoval, 20, saber negociar também faz toda a diferença. “É preciso jogo de cintura e uma pitada de malícia, senão, tá perdido”. Liemers trabalhou durante dois anos como feirante e, como está empregado, faz bicos na feira para incrementar o salário. As pessoas que se interessaram pela profissão e pretendem ganhar a vida vendendo frutas ou verduras devem ficar atentas. Não basta aparecer na feira com as “trouxinhas” na mão procurando um espaço. Um feirante precisa primeiro se dirigir à Prefeitura de Franca e solicitar sua inscrição para poder trabalhar num espaço público. Os interessados devem comparecer ao local e protocolar o pedido. Para isso, é preciso ter acima de 18 anos e levar os seguintes documentos: xerox do RG, do CPF, do título de eleitor, e um comprovante de residência; atestado de saúde, certidão negativa de débito para com o município e duas fotos 3x4 recentes. Após a solicitação, os técnicos da Divisão Municipal de Atividades Produtivas verificarão o espaço disponível das feiras. Se houver vagas, em seguida, os técnicos passam à análise dos documentos apresentados pelo interessado. Em aproximadamente 30 dias, a Divisão entrará em contato para informar se a autorização de trabalho será ou não concedida. O horário de atendimento da Prefeitura Municipal é das 8h30 às 16 horas, de segunda a sexta-feira. Para mais informações, basta ligar para (16) 3724-7080. DIREITOS TRABALHISTAS O feirante que possui banca própria é considerado um profissional autônomo e, para garantir a sua aposentadoria, deve contribuir particularmente com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Se ele trabalhar para outra pessoa, deve ter a carteira de trabalho registrada.

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