O Ceará é aqui


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A vendedora e artesã Maria Eugênia de Lima mostra uma toalha de lavabo vendida na feira de produtos artesanais do Ceará, instalada no Sindicato dos Servidores Municipais
A vendedora e artesã Maria Eugênia de Lima mostra uma toalha de lavabo vendida na feira de produtos artesanais do Ceará, instalada no Sindicato dos Servidores Municipais
Quem não tem condições de viajar mais de 2 mil quilômetros para comprar produtos feitos por artesãs em Fortaleza poderá resolver o problema aqui, em Franca mesmo. Pelo terceiro ano, vendedores da Cooperativa de Rendas e Bordados do Ceará estacionaram na cidade. Na bagagem, trouxeram mais de mil tipos de roupas, confecções de cama, mesa e banho e alimentos, como castanha de caju, para vender. A cooperativa possui sete grupos de trabalhadores que viajam o Brasil todo, levando as tradições cearenses a outros estados e garantindo o sustento de suas famílias com a venda das mesmas. O grupo chegou a Franca no último dia 15 e deve ficar na cidade até o mês que vem. São 12 homens e mulheres que montaram barracas no Sindicato dos Servidores Municipais. Os produtos custam de R$ 2 (toalha para bandeja) a R$ 1,2 mil (toalha bordada com renda renascença, típica da Europa). “Tentamos trazer um pedacinho do Nordeste para as cidades que visitamos. Na região, nossos produtos são bem aceitos por serem diferentes e feitos com capricho”, disse a artesã Regina Marques, 35. A maioria das peças à venda é feita manualmente por bordadeiras da cooperativa de Fortaleza. Algumas demoram mais de três meses para ficarem prontas, principalmente, as que envolvem a renda renascença. “Essa é a renda mais fina que existe. Uma toalha dela com três metros consome dois anos e meio de trabalho; é inteirinha feita com agulha de costura e linha”, disse a vendedora e artesã Maria Eugênia de Lima, 36. A renda richelieu é um tipo de bordado feito à máquina e recortado manualmente, também encontrado na feira. Essas rendas são apresentadas aos consumidores do Brasil durante as viagens dos nordestinos por várias regiões, em temporadas que duram nove meses. Nos três meses que sobram, os cearenses aproveitam para ficar em Fortaleza ao lado dos familiares e para repor estoque das mercadorias. “Quando iniciamos as viagens, transportamos tudo o que vamos vender nos nove meses. Se alguma peça acaba antes, a cooperativa nos manda pelo correio”. No período longe de casa, o grupo pára em 15 cidades e permanece cerca de um mês em cada. Por temporada, os vendedores calculam percorrer oito mil quilômetros. Para mudarem, viajam em ônibus intermunicipais e fretam caminhões para transportar os produtos. A hospedagem depende do local em que é montada a feira. Se for possível, dormem no recinto onde vendem as mercadorias; caso contrário, ficam em hotéis. Em Franca, transformaram o Sindicato dos Servidores em casa. A parte da frente serve como cômodo de comércio e está lotado de cabides com roupas e bancas com enxoval. Já o fundo do imóvel aloja colchões, malas, televisão e banheiro. As refeições são sempre em restaurantes. “Não temos como trazer alimentos, pois nem sempre é possível cozinhar”, disse Regina. A cidade foi escolhida por fazer parte da região de Ribeirão Preto. “Aqui descobrimos que os produtos têm boa aceitação. Acabamos incluindo a cidade no nosso roteiro”. O pagamento aos cooperados é feito por comissão de vendas. Regina não soube informar quanto o grupo ganha por mês nem por temporada. “É variado”, disse ela, que consegue cerca de R$ 700 mensais. Os cearenses devem permanecer em Franca até 14 de setembro. O próximo destino ainda está indefinido. A feira abre das 9 às 21 horas, todos os dias. O Sindicato dos Servidores fica na Rua Felisbino de Lima, 1712, na Cidade Nova.

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