Minha visita, na data de hoje, à Usina Bertin Biodiesel do município de Lins, região central do Estado de São Paulo, me enche de satisfação ao constatar a força e o dinamismo com que o interior paulista aderiu ao Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). A unidade que vou inaugurar é a prova cabal da criatividade e do espírito empreendedor do produtor brasileiro. O biodiesel produzido a partir do sebo do boi oriundo dos frigoríficos é uma aposta na tendência de aproveitamento total da cadeia bovina.
A usina de Lins consta da lista dos empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e terá capacidade para produzir cerca de 100 milhões de litros por ano. Ela significou um investimento de 40 milhões de reais na região, dos quais R$ 14,9 mi financiados pelo BNDES.
Em minhas andanças pelo Brasil e pelo mundo tenho dito que o século XXI será marcado por um debate crucial: como podemos tornar o desenvolvimento econômico e social compatível com a preservação de nosso meio ambiente? Estou convencido de que encontramos a resposta.
Os biocombustíveis são uma fonte energética sustentável sob todos os aspectos: econômico, social e ambiental. A dimensão internacional do mercado para os biocombustíveis assegura uma grande oportunidade para o setor agrícola, assim como para o desenvolvimento de novas tecnologias e a ampliação do nosso parque industrial. Além disso, oferecem condições excepcionais à geração de emprego e renda no campo e são uma alternativa limpa para o meio-ambiente.
Essa dimensão e o dinamismo do mercado energético asseguram, também, uma oportunidade para alavancar a estruturação dos mercados agrícolas para fins alimentícios. Em vários países africanos, por exemplo, há grande disponibilidade de terras, mas a produção é quase inexistente porque a cadeia agrícola não está estruturada. Acabam importando alimentos de países desenvolvidos. Os biocombustíveis contribuem para mudar esse quadro.
A grande extensão territorial do Brasil e a diversidade de nossos solos e climas, que permitem a utilização de diversas oleaginosas - sem falar, agora, nos nossos rebanhos bovinos oferecendo o sebo animal como matéria-prima -, colocam o País em situação de enorme vantagem competitiva. Os biocombustíveis ainda estimulam o uso de solos antes inadequados para produção de alimentos, mas passíveis ao cultivo de espécies de oleaginosas resistentes a condições adversas, como a mamona e o pinhão manso. Sua flexibilidade possibilita a participação tanto do agronegócio como da agricultura familiar. O resultado é a geração de uma energia limpa, que ajuda a seqüestrar o carbono da atmosfera, reduzindo o aquecimento global, e é intensiva na utilização de força de trabalho.
Internacionalmente, a adoção maciça dos biocombustíveis significará um freio para o encarecimento do custo da energia e o processo de degradação ambiental, além de valioso aliado no combate à instabilidade social e política no mundo. Também renova, como disse, as esperanças de boa parte das nações pobres, que dispõem de mão-de-obra, terra e clima propícios, e para as quais o Brasil poderá exportar seu know how e sua tecnologia.
Todos conhecemos o exemplo do etanol, que há décadas gera emprego, desenvolve a indústria e é motivo de orgulho para os brasileiros. São mais de 4 milhões de hectares plantados com cana-de-açúcar que fazem de São Paulo o maior estado produtor do País. Aqui, se produz 62% de todo o álcool combustível brasileiro e 88% de toda a produção do Sudeste.
Hoje, além de tradicional produtora de etanol, a região Sudeste - com destaque para o Estado de São Paulo - já concentra o maior número de usinas de produção de biodiesel do País, com capacidade instalada para 388 milhões de litros/ano. Isso representa 24% de todo o biodiesel produzido nacionalmente. Um combustível novo para a potente economia paulista e para todo o Brasil.
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