Geraldinho Ribeiro, da Opananken comprou de um antiquário uma belíssima caixa de engraxate, de latão, com desenhos em alto relevo, fabricada provavelmente na Índia ou no Irã de antigamente. Ele está expondo a beleza em uma de suas duas lojas na cidade e pretende doá-la ao Museu do Calçado.
A doação, aparentemente, será um pequeno gesto de despreendimento. Porém, são muitas as boas ações que ele tem feito. Patrocina, por exemplo, uma dupla de músicos francanos, dotada de elevado talento, que não possuía sequer os instrumentos para iniciar a carreira profissional. Esse fabricante não vacila em apoiar empreendimentos que julga meritórios ou de atender necessidades de pessoas ou entidades.
Geraldinho penou para realizar seus projetos inovadores, como o do calçado saudável, e não se esquece dos apoios que recebeu para superar as dificuldades. Essa experiência e a sua índole generosa motivam-no a ser um provedor das artes e das cestas básicas com limites, obviamente. É um apaixonado por Franca. ‘Faço o possível para retribuir à cidade o que consegui nela’, declara.
Gente como ele impressiona, pelo sentimento de coletividade e pela prática da solidariedade, que se contrapõem à pregação generalizada do hino ‘Eu que me fiz, eu que me cuido, o resto que se dane (menos o meu cachorro).’
Egoísmo não impressiona, por ser integrante do caráter das pessoas e se revela freqüentemente em nosso comportamento. Faz parte, dizem por aí. O problema é quando o egoísmo assume o comando total das ações e se torna outra coisa ainda pior, vira um distúrbio psíquico que transforma o indivíduo em uma legião de demônios: praticamente tudo o que faz prejudica alguém.
Se esse ‘possuído’ dirige uma empresa, o estrago é considerável. Ele descumpre suas obrigações, exige dos funcionários mais do que estabelece o contrato de trabalho e os atormenta de várias formas principalmente com humilhações. Não sabemos quantos fabricantes de calçados enquadram-se nesse caso. Talvez dois, três ou dezenas. Um temos certeza, porque um de seus funcionário nos solicita informações para sair da aflição.
Diz o funcionário: a empresa não paga em dia, não recolhe regularmente o Fundo de Garantia, a produção assemelha-se a um eletrocardiograma (alterna dias parados com a necessidade de hora-extra, tendo o trabalhador de compensar as folgas involuntárias), o chefe da seção é um cavalo etc. etc. Esse operário já tentou acordo para sair, não consegue se não perder direitos e desconhece as providências.
Consultamos um advogado trabalhista, veio a orientação: o funcionário pode solicitar na Justiça a rescisão do contrato de trabalho, já que a empresa descumpre suas obrigações. Se quiser apenas a regularização do recolhimento do FGTS, pode entrar com ação específica (ou, senão, denunciar a ilegalidade no Ministério do Trabalho).
Como um assunto puxa outro, finalizamos dizendo que estamos à disposição dos leitores para encaminhar a especialistas suas eventuais dúvidas sobre direito trabalhista.
QUEM É QUEM
Comentamos recentemente sobre a necessidade de se fazer um levantamento das indústrias de calçados existentes na cidade, de seus pontos fortes e fracos, entre outros dados, para que, no mínimo, a comunidade francana possa avaliar a real situação do pólo, já que as especulações indicam mais tristezas que alegrias e deixam-na bastante insegura, estressada, por depender muito dessa fabricação.
O presidente do sindicato calçadista, Jorge Donadelli, nos havia dito que iniciaria a pesquisa em breve. Agora vem a confirmação. O secretário-executivo da entidade, Nelson Barbosa, informa que a equipe de entrevistadores está sendo formada e logo sairá a campo, para descobrir quantas empresas calçadistas há na cidade e retratar quais suas carências e potencialidades. Esse trabalho, segundo ele, será realizado provavelmente em duas etapas.
EXPORTAÇÃO
O Brasil exportou 103,9 milhões de pares de calçados de janeiro a julho, o que representou uma queda de 4% em relação aos 108 milhões de pares embarcados no mesmo período do ano passado. O faturamento, porém, aumentou 117 milhões de dólares, passando de US$ 1 bilhão para US$ 1,117 bilhão. Conseqüência do reajuste de 6% no preço médio, elevado de US$ 10,14 para US$ 10,76.
DE NOVO
O governo argentino mais uma vez limitará a entrada de calçados no país, diante do aumento das importações ocorridas a partir de maio. Justifica a medida pela necessidade de proteger a indústria local.
CONSUMO
Os consumidores de calçados masculinos das classes A e B chegam a adquirir quatro pares por ano. Avaliam na hora da compra: conforto, qualidade da matéria-prima, do acabamento e o design do modelo. A pesquisa é da consultoria Militelli, não é recente mas o que revela está atualizado.
Eles programam as compras ao longo do ano. Porém, uma parcela considerável acaba comprando por impulso se o calçado for muito atraente. Outro dado interessante é o elevado índice de satisfação com o produto, que atingia 93% desses consumidores e agora deve ser maior, supomos.
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