O comerciante Ednilson de Paula, 37, dono de um estacionamento de veículos na Rua Evangelista de Lima, foi preso acusado de financiar o tráfico de drogas em Franca. Segundo a Polícia Civil, ele seria integrante de uma quadrilha, ligada ao PCC, responsável por abastecer a cidade com crack, cocaína e maconha.
Ednilson fornecia carros para traficantes e eles trocavam os veículos por entorpecentes. Em troca, o dono do estacionamento recebia valores em dinheiro bem acima do preço de mercado. O esquema foi descoberto por escutas telefônicas autorizadas pela Justiça.
Com a prisão do comerciante, a polícia acredita ter desmantelado a quadrilha. Dos sete integrantes identificados, cinco já estão atrás das grades. O bando é chefiado por Renon Tomás da Costa, 30, o “Vaca”, apontado como líder do PCC na zona norte de Franca. Ele está na penitenciária de Ribeirão Preto há um ano e comandaria por telefone a venda de drogas na cidade. Durante ações distintas realizadas pela Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) neste mês, outros quatro membros do bando também foram detidos.
A prisão mais relevante foi justamente a do comerciante. Depois de receberem denúncias de que Ednilson estava aumentado seu patrimônio rapidamente devido à venda irregular de carros, os investigadores passaram a monitorar seus passos. Durante três meses, os policiais grampearam nove telefones diferentes e teriam comprovado o envolvimento dele com a quadrilha comandada pelo líder do PCC. “As provas são incontestáveis. Pelas escutas, descobrimos que o comerciante buscava o pagamento em bocas-de-fumo no City Petrópolis. Há um mês, um veículo foi apreendido com 50 quilos de maconha em Ribeirão. Na hora, o “Vaca” ligou para ele, disse que o carro era um dos ‘nossos’ e lamentou o prejuízo”, disse o delegado Pedro Luiz Dallaqua.
Com base nas revelações, o policial ingressou com o pedido de prisão temporária. A solicitação foi atendida pelo juiz Marcelo Augusto de Moura e Ednilson foi preso pela Dise na sexta-feira. Seis veículos dele foram apreendidos. No mesmo dia, a dona de casa LGP, 37, também foi detida acusada por ligação com o bando.
De acordo com a polícia, o comerciante fornecia veículos para traficantes da quadrilha trocarem por entorpecentes em Ribeirão Preto e no Paraguai. “A droga voltava para Franca e era vendida para traficantes menores. Parte do dinheiro arrecadado era destinada para pagar o comerciante. Era um negócio garantido: ele sempre recebia um valor em dinheiro bem acima do preço de mercado do veículo. (Ednilson) Sabia que estava lidando com traficantes e obtendo lucro de maneira ilícita”, afirmou Dallaqua.
As investigações comprovaram que o comerciante vendeu, pelo menos, cinco veículos para a quadrilha, entre eles uma Pajero, um Fox e um Palio. Para cada veículo avaliado em R$ 20 mil que repassava à quadrilha, Ednilson ganhava R$ 5 mil a mais. Ele responderá a processo por financiar o tráfico de drogas e poderá pegar de oito a 15 anos de cadeia.
Encarregada de buscar os carros na garagem do comerciante, a namorada de “Vaca” também foi presa pela Dise no começo do mês.
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