Você chega em casa e vai direto para a cozinha abrir a porta da geladeira? Rói unhas das mãos e, até, dos pés quando está ansioso? Estrala partes do corpo, até a orelha e pescoço, quando não tem nada para fazer? Bem-vindo ao mundo dos manimaníacos! Além destas “loucuras”, existem, pelo menos, outras 110 manias catalogadas por psicólogos e psiquiatras.
A estudante Graciana Pereira, 22, tem uma das manias mais comuns: ela rói unhas. “Desde pequena, quando minhas unhas começaram a crescer, eu peguei esta mania. Hoje, faço isto sem perceber. Elas nunca ficam grandes”.
Ela bem que tentou se livrar da mania, mas ainda não deu certo. “Quando era menor, minha mãe chegava até a dar uns tapinhas para eu tirar a mão da boca e parar de roer unhas, mas não adiantou. Faço isso sem perceber”.
A estudante Ana Luiza Silva, 24, também está na lista dos manimaníacos. A jovem tem tricotilomania, mania de arrancar as pontinhas duplas do cabelo. “Quando estou ansiosa e vejo alguns fios duplos eu os abro e arranco. É muito prazeroso”, disse.
Ana Luiza nunca passou vexame por conta desta mania. “Se estou em um restaurante, tento me controlar, mas na sala de aula eu não agüento. Todas as minhas colegas me chamam a atenção. Às vezes, eu deixo de prestar a atenção no professor, para me concentrar nos cabelos”.
Cíntia de Castro Miranda, 29, acorda, coloca um short, uma blusinha e um chinelinho e, mãos à obra. Sua missão: lavar e lavar a casa. “Sou assim desde mocinha. Limpo as paredes com bastante água e sabão, arrasto todos os móveis, mudo todos de lugar e, enquanto não vejo tudo brilhando, não sossego. Ver a casa limpinha é a melhor sensação”, disse.
Seus familiares já se acostumaram. “Quando vou para a casa do meu pai, também não penso em outra coisa. Fico lavando a casa dele o dia todo”.
Há pessoas que têm uma ou duas manias, outras que fazem coleção delas. “Eu tenho tantas manias que elas acabam virando parte do meu cotidiano. Por exemplo, se a cabeceira da minha cama estiver voltada para o Sul, não consigo dormir. Tenho mania até de contar o tic-tac do relógio de cordas. Teve uma vez que passei horas contando. Tenho que me conformar: as manias fazem parte do meu dia-a-dia”, disse a estudante Juliana Catarina de Souza, 19.
A introdução dos computadores no dia-a-dia das pessoas fez surgir algumas manias modernas, como a orkutmania, que é a mania de acessar o Orkut, site de relacionamento, várias vezes por dia. “Nem percebo a hora passar quando acesso o Orkut. Entro para ver meus recados rapidinho, mas acabo me distraindo com as fotos e comunidades e fico bem mais que o planejado”, disse o estudante Juliano de Castro Silva, 19.
O jovem usa a internet desde os 13 anos, quando ganhou o primeiro computador. A partir daí, não desgruda da rede. Gafes são freqüentes na rotina virtual de Juliano. “Houve uma vez em que mandei um recado na web, respondendo a um amigo que estava do meu lado. Foi muito engraçado”.
LOUCURA?
A mania é um costume ou hábito que a pessoa tem repetidamente. Na maioria das vezes, é considerada normal. “O indivíduo precisa analisar se seus hábitos não o atrapalham. Se eles não comprometem a vida da pessoa, tudo bem. Mas a partir do momento que uma mania se transforma em obsessão, o caso fica um pouco mais sério e recomendo a ajuda de uma profissional”, disse a psicóloga Cléria Bittar Bueno.
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