A nova petroquímica


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A consolidação da petroquímica brasileira avançou um pouco mais, com a compra da Suzano Petroquímica pela Petrobrás. O valor foi expressivo: US$ 1,4 bi, equivalente a dez ou onze vezes o EBITDA (lucros, antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Mas está embutido aí o valor estratégico da companhia, para a consolidação do Pólo Petroquímico do Sudeste. Algumas semanas atrás, a Petrobrás entrou em contato com a Unipar e a Suzano, sugerindo que uma adquirisse a outra para, depois, poder se associar à empresa na constituição do pólo. Nos últimos anos, a Unipar havia se enredado em uma pesada briga societária, que praticamente paralisou as decisões. Meses atrás conseguiu certa estabilidade, com a união de três herdeiros contra outros dois herdeiros, garantindo um controle precário sobre a companhia. Coube à Unipar o primeiro lance, oferecendo US$ 900 milhões pela Suzano. Os controladores não aceitaram, inclusive porque tencionavam liderar o processo. Mas havia divergências com a Petrobrás, quanto ao modelo de gestão que seria adotado. * * * No meio das negociações, dez dias atrás a Petrobrás apresentou à Suzano a proposta considerada irrecusável pelos seus controladores. Nesse ínterim, a estatal iniciou conversações rápidas com a Unipar, chegando a um acordo, segundo me relatou Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da empresa. Pelo acordo, a Unipar concorda em aportar seus ativos à nova central, recebendo como contrapartida ações da nova empresa. Consolidado esse segundo movimento, é intenção da Petrobrás atrair outros investidores, inclusive financeiros, para não ter maioria de capital. Mas já informou que controlará a operação. * * * Segundo Costa, a nova central focará apenas os termoplásticos, a cadeia do polipropileno e polietileno - da qual a grande concorrente é a Brasken, do grupo Odebrecht. Em polietileno, a nova Central terá três empresas produzindo, somando 1,8 bilhão de toneladas ano. Com Camaçari e Pólo do Sul, a Brasken produz 1,865 bilhão. Em polipropileno, a Central do Sudeste mais Suzano produzirão 1,7 bilhão de toneladas, contra 1,05 bi da Brasken. Haverá equilíbrio entre as duas companhias. Segundo Costa, com esse movimento encerra-se o processo de consolidação da petroquímica brasileira, esfacelada no processo de privatização. Saiu-se do modelo tripartite anterior (1/3 de capital estatal, 1/3 privado nacional e 1/3 de privado estrangeiro) para uma venda de pedaços de empresa, destruindo a lógica das centrais de matéria-prima, que exigem integração e escala. A intenção, agora, será desenvolver dois grupos com capacidade de competir no mercado internacional em termos de escala, tecnologia e produtividade. * * * No fundo, a compra reflete a nova etapa da Petrobrás. Com o extraordinário crescimento dos últimos anos, a empresa passou a ter enorme lista de projetos que refletem o desenvolvimento dos diversos grupos internos. Tem o grupo que quer retomar a presença da empresa na petroquímica; o grupo que aposta no álcool, gás, eletricidade. E o Brasil ficou pequeno demais para o tamanho da empresa. VEÍCULOS Ainda embaladas pela explosão do financiamento de veículos no Brasil, as montadoras voltaram a bater, em julho, recordes de produção e vendas de carros. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) anunciou ontem que no mês passado foram produzidas 268,2 mil unidades, alta de 20,3% em relação a julho de 2006. No acumulado do ano, o aumento no número de carros produzidos no País é de 8,4%. Segundo Jackson Schneider, presidente da entidade, o crescimento acelerado não traz a preocupação de gargalos pois ainda existe uma capacidade de produção de mais de 3,5 milhões de unidades na indústria. No mercado interno, foram vendidas 217,4 mil unidades, também um recorde histórico e um aumento de 31,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado. O acumulado entre janeiro e julho deste ano registrou 1,3 milhão de unidades vendidas, uma outra marca histórica, com crescimento de 26,6% em relação a 2006. Os veículos com motores tipo ‘flex fuel’’ (movidos a álcool ou gasolina) representaram, em julho, 88,3% das vendas de veículos no mercado interno. Foram 182,1 mil bicombustíveis, de um total de 217,3 mil unidades comercializadas no mês. No ano, a participação dos motores tipo flex está em 84,4% dos automóveis. Em julho, o setor exportou 83 mil unidades, alta de 6,8% em relação ao mesmo mês de 2006. Em valor, exportou-se US$ 1,17 bilhão, aumento de 7,9% ante junho e 8,2% sobre o mesmo mês de 2006. AFTOSA INGLESA A Comissão Européia, em coordenação com o governo britânico, anunciou ontem a proibição de todas as importações de gado e produtos animais provenientes do Reino Unido, país classificado como de “alto risco” após a detecção de um foco de febre aftosa. A Irlanda do Norte não está incluída na medida. No sábado, o Departamento de Agricultura dos EUA proibiu a entrada no país de carne de porco e derivados procedentes do Reino Unido, após a descoberta de um caso de febre aftosa no sul da Inglaterra. Devido à doença da vaca louca, os EUA já não aceitavam a importação de carne e derivados de bovinos e ovinos britânicos. O Canadá também proibiu no sábado a entrada de gado britânico e de seus derivados ao país, anunciou o ministro da Agricultura, Chuck Strahl. O Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia suspendeu ontem, em caráter provisório, a importação de porcos e da carne do animal do Reino Unido, após a confirmação do foco de febre aftosa em território britânico.

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