Caçadores de sapo


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osé Gabriel Peres Molina e Leandro Lourenço da Silva, alunos do terceiro ano de Biologia na Unifran, mostram fotos de pererecas que estudam na região do Espraiado, em Franca
osé Gabriel Peres Molina e Leandro Lourenço da Silva, alunos do terceiro ano de Biologia na Unifran, mostram fotos de pererecas que estudam na região do Espraiado, em Franca
De calças, blusas de manga longa, botas, luvas, gravador, lanterna e máquina fotográfica nas mãos. Assim, Leandro da Silva, 19, e José Gabriel Molina, 22, estudantes de Biologia da Unifran (Universidade), estão prontos para sair à caça, literalmente, de sapos, rãs e pererecas na cidade. Os dois enfrentam lama, mato alto e vários bichos, sempre durante a noite, para descobrir as espécies de anfíbios que moram na região e avaliar a reprodução delas. Com os dados em mãos, será possível traçar um retrato das mudanças no meio ambiente da região e projetar como será o futuro. O levantamento dos animais começou há cerca de um ano e deverá ficar pronto em setembro de 2008. As pesquisas em campo são feitas todas as semanas, geralmente aos sábados. Leandro e José Gabriel passam cerca de cinco horas na região do Espraiado, próximo à AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) e ao Clube Castelinho, para observar e registrar os hábitos dos bichos. Os alunos ouvem o canto dos sapos, se aproximam deles, gravam o coaxo e fotografam os animais. Depois da coleta em campo, é hora de se dedicar à catalogação das espécies. A partir das imagens feitas e dos sons registrados nos gravadores, fazem comparações com cantos gravados em CDs e programas da internet para nomear as espécies. O resultado final é supervisionado pelo orientador do projeto, o professor Tadeu Melo Júnior. No fim do levantamento, será feito um catálogo com os animais e suas fotos. Até o momento, os pesquisadores elencaram 18 espécies, algumas minúsculas, que cabem na ponta dos dedos. Não há estimativas de quantos sapos, rãs e pererecas diferentes vivam na área do Espraiado. “Estamos numa região de transição entre cerrado e mata atlântica e não temos um referencial para comparar. Não fazemos idéia de quantas espécies vivem naquela área”, disse Leandro. A pesquisa não é financiada por nenhum órgão. A IDÉIA Antes de definir pela catalogação da população de sapos e companhia, os dois universitários pensaram em pesquisar insetos e peixes, mas ao buscar informações sobre bichos na região descobriram que havia pouco material sobre os anfíbios e decidiram preencher essa lacuna. Mas, por que saber como vivem os sapos na região? Segundo os alunos e o professor Tadeu, esses animais são importantes indicadores ambientais. “Isso significa que a presença ou não desses bichos mostra se local está apto para a vida, se está saudável ou não. Se a área está poluída, por exemplo, há um decréscimo dessas espécies”, disse José Gabriel. O objetivo do projeto é avaliar a reprodução dos anfíbios, em quais meses é mais alta, quando é bem sucedida, se a presença humana e chuvas interferem na procriação. Em doze meses de estudos, constataram mudanças. “Neste ano, que está mais seco que o anterior, tem bem menos girinos (filhotes de sapos). Não sabemos precisar a queda na reprodução, mas estamos com dificuldades de encontrar exemplares”, disse Leandro. “O aterramento das nascentes, que é comum em Franca, também interfere nesse processo. Com menos nascentes, menos lagoas, os anuros têm menos espaço para reprodução”, disse Leandro. O professor Tadeu aposta que o trabalho dos estudantes, que estão no terceiro ano, servirá de base para análises futuras do meio ambiente em Franca. “Esse monitoramento ambiental é inédito e muito importante, pois permitirá saber as mudanças ambientais, o que muda na natureza com o crescimento da população, com aumento da temperatura do planeta daqui a cinco, dez anos. Esse trabalho é a marca inicial para estudos futuros”.

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