O último domingo teve gosto de festa para o meio artístico. O Dia Internacional do Artista de Teatro foi comemorado pelos apaixonados pela arte. É o caso do diretor de teatro Hélio Simões, que trabalha em três companhias da cidade: Grupo Ato, Clã Inútil de Teatro e Troupe Theatrum.
“Desde que escolhi fazer teatro não penso em mudar de profissão. A escolha artística, independente se pelo teatro, pela música ou pelas artes plásticas, abre a cabeça da pessoa, aflora a percepção de si mesmo”, revela o diretor, que já montou o espetáculo O Noviço, de Martins Penna, com o Grupo Ato, e deve estrear até o final do ano o espetáculo, Heavy Madruga, de Mário Bortolotto, com o Clã Inútil de Teatro.
Para Simões, o teatro é muito mais que uma simples profissão. E para esses artistas, a remuneração não está em primeiro plano. O que conta é a satisfação de fazer o que gosta. “Minha preocupação não é com o retorno ou com o meu sustento. O teatro é uma arte que me preenche, com a qual eu posso me comunicar”.
Ser ator é uma profissão cheia de desafios e dificuldades que se distancia da simplicidade imaginada por quem não é do meio. A partir do momento em que se recebe um personagem, um árduo trabalho de memorização e interpretação é feito. Inúmeros ensaios são marcados durante meses antes da estréia, em busca da perfeição.
Pesquisas, ensaios, exercícios e muita disciplina fazem parte da rotina desses artistas. “O teatro é um meio de comunicação. Estes profissionais devem ter um embasamento teórico. Quando eu me apaixonei pelo teatro na escola, saí de Franca para estudar. Me incomoda o ‘achismo’”, disse a orientadora de Artes Cênicas do Sesi (Serviço Social da Indústria), Alessa Hungria, que há cinco anos comanda o núcleo da instituição.
Ela é formada pela ECA (Escola de Comunicação e Artes) da USP (Universidade de São Paulo) e seu trabalho como diretora teatral no Sesi começou em 2003, ano em que a moça se aventurou com uma turma de atores, com a comédia O Inspetor Geral, do russo Nikolai Gogol. “A cada trabalho acredito que tenho conseguido crescer. Comecei a fazer isto com O Dia de Pierrot, em 2004. Aí fui descobrindo o que tinha mais a ver com o meu estilo, com a minha cara. Com os meus trabalhos busco o que eu acredito de teatro, aquilo que é importante”.
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Para este ano, o grupo se prepara para estrear em 12 de outubro o espetáculo Os Anjos Vão Para o Céu, também de Bortolotto. “Eu escolhi o texto deste ano em virtude da densidade dos personagens da história, que, em si, é bem simples”, afirma a diretora, que juntamente com os 18 atores do grupo ficará em cartaz com o espetáculo em Franca no mês de outubro. Em seguida o grupo parte para Rio Claro, Itapetininga, Piracicaba, Marília e Araraquara.
ESTUDOS, TRABALHO E SONHOS
Mas não foi apenas Alessa que se preocupou em estudar e seguir uma longa carreira no teatro. Em Franca, muitos jovens pensam em ter o mesmo destino. Fernando Gimenes, 23, Lívia Alleana, 19, e Lívia Garcia, 24, passaram no vestibular para Artes Cênicas e frequentam o primeiro ano na Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT).
Os três atores sempre fizeram teatro no Sesi, sob a direção de Alessa, e agora vivem juntos na capital. “A vida aqui é o que eu mais queria. Temos contato com vários espetáculos que não chegam à cidade”, disse Gimenes que aos finais de semana vem a Franca para cuidar de seus espetáculos, como A Lei Didática de Baden Baden Sobre o Acordo, de Bertold Brecht, previsto para estrear no fim do ano.
Para Lívia Garcia, que trabalha em um banco em Diadema, é muito difícil conciliar o trabalho com a arte. Porém, apesar de tudo, ela também acha a ELT bem aberta para o desenvolvimento do aprendiz-ator. “Lá se aprende muito. É isto mesmo que eu quero”.
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