No Brasil, quatro mulheres são agredidas por minuto


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A violência doméstica é mais comum do que se imagina. Uma pesquisa realizada em 2001 pela Fundação Perseu Abramo aponta que no Brasil quatro mulheres são agredidas por minuto. Por ano, são mais de 2 milhões de ocorrências. Dentre as formas de violência mais comuns, destacam-se: a agressão física mais branda, sob a forma de tapas e empurrões, sofrida por 20% das mulheres; a violência psíquica de xingamentos, com ofensa à conduta moral da mulher, vivida por 18%, e a ameaça através de coisas quebradas, roupas rasgadas, objetos atirados e outras formas indiretas de agressão, vivida por 15%. A funcionária pública Rosana*, de 38 anos, sabe bem o que esses números significam. Ela foi casada por nove anos e, durante oito, foi vítima de violência. “Quando casei com o Ivan*, pensei que teria uma família e seria feliz, mas vivi um inferno”. Durante o namoro, algumas pessoas chegaram a alertar Rosana sobre o envolvimento de Ivan com a bebida, mas ela não acreditou. Aos 20 anos e com seis meses de relacionamento, engravidou e decidiu morar com o namorado. Foi quando Ivan passou a mostrar seu lado violento. “Lembro que primeiro vieram os xingamentos, depois os tapas e não esqueço do dia em que ele chutou minha barriga”, conta. Depois da agressão, com medo, Rosana resolveu ir para a casa dos pais em uma cidade de Minas Gerais. Ivan foi atrás, pediu perdão e prometeu que mudaria seu comportamento. Ela voltou, mas um mês depois, a rotina de brigas era retomada. Com vergonha da família, a funcionária pública decidiu enfrentar a situação. Ficou ao lado do marido por mais oito anos. Nesse período, teve mais dois filhos. “Muitas vezes pensei em denunciá-lo, em abandonar tudo, mas pensava nos meus filhos e desistia”. Na última vez que Rosana decidiu ir embora, seus filhos estavam com 2, 6 e 8 anos. Ela não voltou mais. “Fui cuidar da minha vida. Não sei como arranjei coragem”. Tempos depois, ela encontrou um novo companheiro que assumiu as três crianças e com quem tem uma filha de dois anos. “Não apanho mais. Não vivo mais com medo. Hoje minha vida é outra. Hoje eu sou feliz”. Ao contrário de Rosana, a sapateira Joana*, 32, nunca precisou esconder os olhos roxos atrás de óculos de sol, nem mesmo deixou de usar saias com vergonha de mostrar as pernas marcadas pela surra. A agressão que sofria não era física, mas psicológica. “Às vezes, penso que, se ele me desse um tapa, seria menor que as ofensas. Por ser um homem que saía com várias mulheres, achava que eu fazia o mesmo e me agredia com palavras horrorosas”. Joana ficou casada sete anos. Nesse período, disse que se sentia feia, sem nenhuma auto-estima. “Não gostava de sair de casa. Sabia que na volta dos shows, barzinhos ele iria brigar por ciúmes de alguém. Era uma tortura viver ao lado dele”. Quando se separou, a Lei “Maria da Penha” não estava em vigor. Foi ela quem teve de sair de casa. Por isso, perdeu muito. “Até sair a separação, fiquei sem pensão alimentícia e quando o juiz decretou a sentença, perdi parte da minha casa. Ele ficou com 70%. Mesmo assim, estou bem feliz”. Se fosse hoje, a história de Joana poderia ter um novo desfecho. “A mulher não precisa mais sair de casa e, o pedido de pensão de alimentos provisória pode ser feito direto da delegacia”, concluiu a delegada Graciela David Ambrósio. * Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados, que não quiseram se identificar

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