Desemprego e impaciência: os vilões do casamento eterno


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Pedro de Faria, diretor de serviço do 3º Ofício da Família de Franca, que atua na área há 25 anos, observa que alguns fatores estão diretamente ligados às separações e divórcios. Faria credita à situação socioeconômica da cidade e à facilidade de acesso à Justiça o aumento das ações para término oficial das relações. “À medida que a cidade caminha bem, a indústria de calçados está bem, todos estão empregados, os serviços aqui no Fórum reduzem. Se isso inverte, não damos conta de todos os casos. Os problemas financeiros interferem nas relações, especialmente nas conjugais”. Para ele, o acesso à Justiça também favorece o incremento nas estatísticas. “Faz quase dois anos (desde 28 de novembro de 2005) que foram instaladas em Franca as três Varas da Família. Além disso, a partir deste ano, os casais podem se separar e se divorciar nos tabelionatos”. Desde o dia 5 de janeiro de 2007, separações consensuais, divórcios e inventários podem ser feitos nos Cartórios de Notas. Não é mais necessário entrar na Justiça e esperar meses para uma sentença judicial. Desde que não tenham filhos menores, não haja conflitos entre as partes, elas estejam acompanhadas de um advogado e atendam a outros requisitos, marido e mulher podem optar por terminarem o casamento nos cartórios. Maria Aparecida David, psicóloga do Serviço Social e de Psicologia do Fórum de Franca, percebe que os casais são imaturos, não dialogam e não têm paciência. “Construir qualquer relação é montar um tijolo em cima do outro e, de vez em quando alguns desses tijolos caem, mas, nessas horas, as pessoas não têm paciência para investir na relação e salvá-la. Hoje, se não gostou, já separa”, disse ela, que lida com os casais para resolver questões da guarda dos filhos e visitação depois que o casamento acaba.

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