A cada mês 95 casais pedem divórcio em Franca


| Tempo de leitura: 3 min
O motorista Hilário Garcia, 53, mostra aliança do quarto casamento de papel passado: ele divide o teto com alguém pela 9ª vez
O motorista Hilário Garcia, 53, mostra aliança do quarto casamento de papel passado: ele divide o teto com alguém pela 9ª vez
Vilma, Regina, Célia, Maria, Ana Lúcia, Rita, Isabel e Maria Aparecida. As oito têm algo em comum: são ex-mulheres de Hilário Garcia. O motorista coleciona histórias de relações conjugais que lembram a dos famosos cantores Gretchen, 48, que se casou oito vezes, e Fábio Jr., que está prestes a encarar o sétimo casamento. Aos 53 anos, Hilário já se divorciou de duas companheiras, ficou viúvo uma vez e dividiu o mesmo teto com outras cinco mulheres. Pensa que ele desistiu? Não. Hoje está casado de papel passado pela quarta vez com a nona namorada. Por enquanto, ele acredita que essa será para sempre. “Para mim, esse é o primeiro e último casamento, porque tem Deus junto”, disse. Hilário ajuda a engrossar as estatísticas de separações e divórcios em Franca, que saltaram 79% nos últimos três anos. Segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2004, a média de casais que colocaram um ponto final na relação foi de 53 por mês; em 2007 (até julho), foram 95 ações mensais. Para profissionais que trabalham com esses procedimentos, a situação socioeconômica, a facilidade de acesso à Justiça para oficializar a separação e impaciência dos cônjuges são os principais fatores dos rompimentos. Nessas horas, haja pensão. Hilário teve seis filhos e, durante anos, desembolsou boa parte do seu salário como cobrador de ônibus e motorista de caminhão para cinco filhos, pois a primogênita morreu com apenas um ano. “Garanti o pão deles por muito tempo. Hoje são todos maiores (têm 28, 27, 21, 20 e 19), trabalham e cuidam de si mesmos. Ajudo quando me pedem”. O motorista disse que suas relações terminaram, basicamente, por três motivos: seu vício em bebidas alcoólicas, traições e vontade que tinha de viver novas experiências amorosas. “Minhas companheiras não aceitavam eu beber. Todas as vezes, preferi a bebida a ficar com elas. Também era muito aventureiro e queria conhecer mulheres diferentes. Elas sempre diziam que eu era sem-vergonha, mas não levava nada a sério por causa do meu vício”, disse. Numa das suas aventuras amorosas, Hilário conheceu uma mulher que também bebia bastante, mas foi justamente ao conviver com o outro lado que decidiu mudar. “Chegou uma hora que quis transformar minha vida, ter uma família de verdade. Decidi procurar Deus. A minha mulher, na época, não quis seguir a mesma coisa e nos separamos”. O motorista diz que se converteu e, hoje, é seguidor da Igreja Congregação Cristã do Brasil. “Meu passado está enterrado. Tenho contato com minhas exs, mas somos amigos e rezo por elas”. Nas reuniões da igreja, Hilário conheceu a viúva Maria Rosa, 50. O namoro dos dois começou em junho do ano passado. Depois de 40 dias juntos, casaram no civil. “Pedi uma esposa de verdade e Deus me deu a Maria Rosa. Essa relação é diferente das outras. Conversamos muito, somos companheiros um do outro e estamos sempre unidos”, disse ele, que mora com a atual mulher e dois dos quatro filhos dela. O casal não pensa em adotar uma criança. “Vou me aposentar em um ano e meio e quero, ao lado da Maria Rosa, dedicar minha vida à obra de Deus”, disse ele. A pespontadeira Lícia Silva, 32, também está nas estatísticas de divorciados em Franca. Depois de 14 anos casada com o pai de sua filha de 14 anos, o relacionamento acabou. “Aparentemente, estava tudo bem, mas, certo dia, meu ex-marido chegou em casa e disse que iria embora.E ele foi”. Lícia alimentou esperanças de se reconciliar durante dois meses até que descobriu que ele tinha outra. “Fiquei sabendo que estava com uma amiga minha. Com a traição, não teve jeito e coloquei um ponto final em tudo. Nos divorciamos em março passado”. Ela não descarta a possibilidade de incrementar a lista de casamentos na cidade. “Se aparecer alguém especial e achar que vale a pena, me caso de novo, sem problemas. Não é porque uma não deu certo que as outras relações não vão resistir”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários