Veículos apreendidos se transformam em sucatas


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Pátio da Emdef, localizado na saída para São José da Bela Vista, abriga cerca de 630 carros e motos: Divisão de Trânsito deve pleitear à Justiça um leilão para amenizar problema
Pátio da Emdef, localizado na saída para São José da Bela Vista, abriga cerca de 630 carros e motos: Divisão de Trânsito deve pleitear à Justiça um leilão para amenizar problema
Uma árvore nasceu e cresceu até estourar a carroceria de madeira. Alguns pares de ano se passaram e a arvorezinha continuou sua trajetória vertical em meio ao que um dia foi um belo e caro caminhão. Essa cena retrata o estado de abandono em que se encontram centenas de veículos apreendidos no pátio da Prefeitura. São carros, caminhões, motos e bicicletas tirados de circulação por problemas criminais. Enquanto os processos a que estão vinculados se arrastam na Justiça, e uma nova destinação não é dada, eles vão se deteriorando com a ação do tempo. É difícil calcular o prejuízo, mas não seria nenhum exagero dizer que se aproxima de R$ 700 mil. Em Franca existem dois espaços para abrigar veículos apreendidos nas ruas da cidade. O recém-inaugurado Pátio Modelo, perto do posto dos Bombeiros no Distrito Industrial, recebe apenas carros e motos recolhidos por problemas administrativos, como falta de licenciamento ou má conservação. Neste caso, basta o proprietário regularizar a documentação, pagar a diária - R$ 10 veículos, R$ 6 motos e R$ 15 utilitários - e fazer a retirada. No pátio velho, localizado na sede da Emdef, saída para São José da Bela Vista, ficam os veículos com problemas judiciais. É lá que o abandono é total. Atualmente, 630 veículos, entre carros e motos, estão apreendidos no local e impedidos de circular. Calculando-se por baixo que cada um valha R$ 1 mil, chegamos ao valor do prejuízo. Em média, a maior parte dos veículos chegou há dois anos. Há situações de carros que já completaram uma década inativos por lá, como é o caso do caminhão citado na abertura desta reportagem. Ele foi recolhido com um traficante. Um velho Opala com as placas ainda na cor amarela acaba de comemorar aniversário de 15 anos no pátio. Deu entrada lá no dia 26 de julho de 1992. Ninguém sabe o motivo da apreensão. É verdade que muitos já viraram sucata e não devem ter o menor valor comercial, mas é só dar uma caminhada pelo local para avistar valiosos modelos nacionais e importados sendo castigados ao longo dos anos pelo sol, chuva e sereno. Em meio a velhos Fiats 147, Chevettes e Fuscas, encontram-se um Mitsubishi (entrou em abril de 2003), um Mercedes Benz (janeiro 2006), um Audi A-3 (janeiro 2007), uma Blazer (fevereiro de 2006) e uma Silverado (julho de 2007). Na ficha de entrada consta que os carros citados acima foram apreendidos para averiguação policial, mas não tipifica os crimes a que estariam vinculados. Todos estão sendo tomados pelo matagal que teima em crescer. “Parte dos veículos está apreendida à disposição das delegacias da cidade por problemas de adulteração ou por terem sido usados em assaltos. Também há aqueles que estão vinculados a processos judiciais por terem sido apreendidos com traficantes. Alguns não servem mais, nem mesmo para desmanche, pois a ferrugem comeu tudo”, conta Sérgio Buranelli, responsável pela Divisão de Trânsito do Município. Quanto mais o tempo passa e uma providência não é tomada, o pátio vai se transformando num grande cemitério de carcaças e ferragens. “Pretendemos fazer um levantamento de todos os veículos, pois cada um se refere a um processo distinto, e o nosso Departamento pedirá ao juiz corregedor que seja feito um leilão judicial. Além do prejuízo de deixar os carros sujeitos à ação do tempo, o espaço público está sendo utilizado indevidamente”.

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