‘Não quero outros médicos para Marcela’


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Em nove meses de vida, Marcela de Jesus Ferreira, bebê anencéfalo de Patrocínio Paulista, foi examinada pessoalmente por apenas três médicos: a pediatra que a acompanha desde que nasceu, Márcia Beani, o radiologista que fez as duas tomografias na criança, João Soares, e uma médica perita do INSS de Franca de cujo nome a mãe não se lembra. Apesar disso, a mãe, Cacilda Ferreira, não quer que novos médicos examinem sua filha. Ela teme que a machuquem ou que usem a filha para experiências. “Eu sei que a doença da Marcela não tem cura. Não vejo necessidade de ser examinada por outros médicos. Ela está bem como está”. A pediatra da criança apóia a iniciativa de Cacilda. “Não vejo necessidade de ser feita outra ressonância magnética já que essa patologia não tem tratamento. Ela está muito bem e infelizmente não há o que fazer. Se tivesse, é claro que teríamos feito e procurado alternativas”, disse. Para a médica, Marcela é uma surpresa. “O esperado era que, conforme ela fosse crescendo, necessitasse mais do aparelho. Aconteceu o contrário. Ela usa cada vez menos o aparelho de oxigênio. O tronco cerebral (que mantém os órgãos funcionando) continua satisfatório”. Márcia Beani, assim como Cacilda, não concorda com o que outros médicos falam do bebê. “Falar da patologia qualquer um pode. Agora, falar do paciente Marcela sem conhecê-la é complicado. Há médicos que falam dela sem nunca tê-la visto, sem nunca terem me ligado. Dizem inverdades. Ela não vive em estado vegetativo. Ela chora quando tem cólicas, quando se sente incomodada. Ela sente o toque das mãos da mãe”, disse a médica.

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