Nível de emprego de primeira, salário de terceira


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O cortador Joviano Ferreira procura emprego em lista no Comércio e Difusora. Em 2007, ele só teve um mês de registro
O cortador Joviano Ferreira procura emprego em lista no Comércio e Difusora. Em 2007, ele só teve um mês de registro
Muita gente empregada, pouca renda para os trabalhadores. Assim pode ser definida a situação da economia de Franca atualmente. Segundo uma pesquisa recém-divulgada pelo Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef, 7,6% dos francanos estão desempregados ou não trabalham. O índice é inferior à média brasileira, de 9,31%, de São Paulo, de 17% e mesmo de países da Europa, como Alemanha (11%), França (8,5%), Espanha (7,9%) e Portugal (7,8%). O dado indica que de cada 26 pessoas de Franca, apenas uma não tem carteira assinada. Dos cerca de 150 mil francanos em idade para trabalhar, 13 mil habitantes estão parados. Seria como se toda a população de Patrocínio Paulista não trabalhasse, fosse aposentada ou vivesse da economia informal. O estudo leva em consideração dados do último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) aproximados para 2007. O levantamento ainda considera a população economicamente ativa aquela com idade entre 16 e 65 anos. Ainda assim, não significa que o índice de emprego se transforme em mais dinheiro na economia francana. Segundo o Sistema Público de Emprego e Renda, do Ministério do Trabalho, a cidade tem o pior salário médio do Estado de São Paulo entre as 23 cidades com 250 mil habitantes ou mais. O salário médio do francano é de R$ 854,77, bem inferior às médias nacional (R$ 1.135,85) e estadual (R$ 1.366,84). Para o professor de economia e organizador do estudo do Ipes, Hélio Braga Filho, a situação pode ser explicada graças à indústria calçadista, que emprega muito, mas com baixos salários. “Franca tem essa característica interessante. Emprega muita gente, mas o sapato não tem valor agregado alto. Logo, remunerar de forma satisfatória o empregado fica mesmo difícil”, disse. Ele ressalta, entretanto, que o número de empregados é um ponto positivo para a cidade já que, além dos que possuem carteira assinada, existem estudantes, aposentados, trabalhadores temporários e vendedores autônomos, o que reduz o índice de pessoas sem renda ainda mais. “Não temos detalhado a quantidade de pessoas em cada um desses setores, mas considero que o total de desempregados seja ainda menor. Percebo que o estoque de emprego cresceu mais do que a população economicamente ativa. Isso serviu para não deixar a taxa de desocupação subir”, explicou. SEM VAGA Apesar do baixo índice de desemprego, muitos ainda sofrem com a desocupação. Joviano Eurípedes Ferreira, 28, morador no Jardim Brasilândia, é um deles. Pai de dois filhos, uma menina de 6 anos e um menino de 11 anos, ele está há três meses desempregado, mas sem registro na carteira já são sete meses somente em 2007. “Minha rotina tem sido acordar todo dia às 5 horas para escutar rádio e saber onde haverá vagas para cortador. Depois vou para a rua distribuir currículos. Já deixei três currículos em cada fábrica, mas não está adiantando. Tem muita gente, quando chego para ver a vaga tem até fila”.

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