Sindifranca barra acesso a dados do aterro


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O Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) barrou o acesso à relação de indústrias de calçados que depositam lixo no aterro “Nova Jersey”. A informação foi requisitada ao presidente da entidade, Jorge Donadelli, que se negou a divulgá-la. O empresário disse estar elaborando um dossiê com os dados sobre o aterro, que será entregue ao Ministério Público. De seu telefone celular, Donadelli afirmou que “não iria passar as informações”. A relação seria fundamental para se chegar à quantidade de materiais que é depositada diariamente no local. A negativa de Donadelli em fornecer dados que ele próprio já disse serem “transparentes” só faz aumentar as dúvidas em relação às atividades do aterro sanitário. Até agora, só foram apresentados números divergentes sobre a quantidade de lixo recebida no local e, conseqüentemente, no tocante à arrecadação obtida com o serviço. De acordo com a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), empresa pública que realiza a parte operacional do aterro, entram 106 toneladas de lixo industrial por dia no “Nova Jersey”. Funcionários do próprio Sindifranca, que administra o dinheiro do aterro em parceria com a Amcoa (Associação dos Manufaturadores de Couro e Afins do Distrito Industrial de Franca), informaram à reportagem em entrevista gravada que são 125 toneladas/dia. Para os trabalhadores do “Nova Jersey”, o número real seria bem diferente e ficaria próximo às 200 toneladas diárias. Em uma campana realizada pelo Comércio no local, 53 caminhões entraram no aterro durante um dia todo. A carga média, de cada um, seria de aproximadamente quatro toneladas, o que resulta em uma quantidade mais próxima à informada pelos funcionários que trabalham dentro do aterro. O Ministério Público, diante do impasse nos números, decidiu instaurar um inquérito civil para apurar “a possibilidade de eventuais danos ambientais e ao erário público”. O promotor do Meio Ambiente, Fernando de Andrade Martins, determinou prazo de dez dias para que Amcoa e Sindifranca entreguem os controles de entrada de lixo no aterro dos últimos seis meses. Oficiou também a Emdef a relacionar todos seus funcionários que trabalham no local e requisitou à Cetesb informações sobre a coleta de lixo doméstico no aterro. CONSÓRCIO A relação entre os administradores do aterro, Amcoa e Sindifranca, com a Prefeitura começou em 27 de setembro de 2005, com a assinatura de um termo de consórcio que designava às entidades a “execução de obras e serviços indispensáveis para a instalação do aterro”. Pelo termo, elas investiriam R$ 1,4 milhão, valor que seria devolvido posteriormente, descontando-se 30% da arrecadação do aterro. Em 17 de novembro do mesmo ano, a Prefeitura passou o controle para a Emdef.

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