Fernando Machado Borges, 19, é estudante do segundo ano de jornalismo da Unifran (Universidade de Franca). Natural de Araxá (MG), ele mora há dois anos em Franca. Seu cotidiano seria igual aos outros universitários da cidade se não fosse o excesso de horas que passa em frente ao computador.
O jovem acorda por volta das 10 horas e a primeira coisa que faz é conectar-se à Internet. Fica cerca de duas horas e faz seu “lanchi-nho” ali mesmo. Vai para o trabalho às 14 horas e, quando volta, é o computador que ele procura. Algumas vezes é para fazer trabalhos e pesquisas, mas a maio-ria o PC é utilizado para espantar a solidão. “Gosto sempre de ter alguém comigo. Não me sinto bem sozinho. Se não fosse a internet, eu teria que usar o telefone”.
O que leva uma pessoa a ficar tantas horas conectada com o mundo? Uma das causas é a falta de companhia. Uma pesquisa rea-lizada entre mais de 2 mil britânicos revelou que 60% deles utilizam sites de bate-papo para não se sentirem sozinhos. É o caso de Fernando, que tem mais de 150 contatos no MSN.
A psicóloga Cléria Bittar Bueno acredita que não há pro-blemas em utilizar a rede para ampliar os contatos, mas orienta: nada substitui a realidade. “Muitas horas em frente ao computador, além de causar problemas psicológicos e emocionais, pode distanciar as pessoas dos amigos sem perceber”, disse.
Cléria afirma também que a internet não é o melhor “remédio” para a solidão. “A web é um meio que afasta ainda mais o contato físico e pode ser usada como ‘muleta’ pelos mais tímidos”, disse, ressaltando que, em alguns casos, como o de pessoas que namoram a distância, o meio é uma “excelente ferramenta” de comunicação.
A tradutora e intérprete Denise Rodrigues Cristiano, 26, concorda com Cléria: a internet não pode substituir o contato pessoal. Ela passava a manhã toda no MSN em seu antigo trabalho. “Eu conversava com meus colegas só pelo Messenger e quando a gente cruzava pelos corredores, falávamos apenas um “oi”. Era até engraçado”, revela.
Alex da Silva Santos, 20, é outro que substitui parte do contato pessoal pelas palavras do computador. Ele trabalha há dois anos numa loja de informática e também assume não ficar um dia sequer sem usar a internet para conversar com seus companheiros de trabalho. Detalhe: são três metros que os separam. “Usamos o MSN e um programa de rede interna para colocarmos o papo em dia. Muitos assuntos são sobre o serviço, outros, particulares”, disse.
PERSONA
A psicóloga também afirma que a maioria dos internautas cria personagens na rede. “Se eu acho que ser alta, loira e inteligente vai me aproximar mais de alguém, porque dizer ao contrário? Há exceções, mas todos nós precisamos atentar a isso. Criar um “personagem virtual” vai acabar distanciando ainda mais a realidade”.
Ela alerta, ainda, que os pais devem ter cuidado para evitar a superexposição à pedofilia, racismo, tóxicos e violência, pois podem prejudicar a educação e o desenvolvimento intelectual da criança. “A criança não sabe se defender e acaba fazendo uso de conteúdos impróprios e isto pre-judica na sua formação”, conclui.
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