Filhos deste solo


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“É mais uma fotografia, tirada há muito tempo, daquelas em cor sépia, tentando captar, gravar e caracterizar um momento histórico da sociedade brasileira”. Assim o professor Vicente de Paula Oliveira define, no prefácio, Filhos deste solo - Medicina & Sacerdócio, livro do radialista e jornalista Garcia Netto que será lançado hoje, às 20 horas, no Salão de Festas da Loja Maçônica “Amor à virtude”. A obra nasceu de uma campanha do Lions Clube Franca Centro em 2000 para homenagear a classe médica de Franca. Garcia Netto selecionou 39 profissionais da medicina que se destacaram na cidade, destes apenas três estão vivos: Newton Novato, Samuel Pereira de Almeida e Cirilo Barcelos. O escritor ressaltou que Filhos deste solo não tem pretensão de ser uma obra literária, mas, sim, um registro histórico dos médicos que encaravam sua profissão como sacerdócio. “Antigamente os médicos eram conselheiros, uma ponte de apoio para as famílias. Os últimos governos estão resgatando esse nome ‘médico da família’. Eu traço esse paralelo com a medicina de outrora, que era de sacerdócio, e a atual, mercantilista”. Garcia Netto disse que não considera seu livro como uma obra regional. “São figuras comuns em qualquer cidade. Em outros lugares igualmente temos os médicos que se destacaram na sociedade”. O livro também faz um breve resumo da fundação dos principais hospitais da cidade. Para a produção da obra, o escritor recorreu às famílias, ao Comércio da Franca e às suas lembranças, já que conviveu com muitos dos médicos citados no livro. “O doutor Carlos Signorelli tratava do meu irmão mais novo. Lembro que ele receitava banana prata para a asma dele. Não sei se foi a banana ou o crescimento dele, mas a asma foi curada”. Filhos deste solo - Medicina & Sacerdócio é uma coletânea de crônicas da vida de francanos, que poderiam ser paulistanos, santistas ou ribeirãopretanos. São histórias simples contadas para demonstrar que já vivemos em uma época mais humana, quando não se falava em “convênios médicos”, nem em “seguro saúde”, e que para fazer partos ou atender pacientes os médicos andavam de carroça e enfrentavam a precariedade de equipamentos sem se preocupar com horas extras.

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