Franca fabrica e exporta aviões a álcool para os Estados Unidos


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Aeronave fabricada em Franca faz vôo pelo céu da cidade. Empresa faz dois aviões como esse
Aeronave fabricada em Franca faz vôo pelo céu da cidade. Empresa faz dois aviões como esse
Uma empresa com sede num barracão dentro do Aeroporto “Tenente Lund Pressotto” tem feito o nome de Franca circular pelos céus do Brasil e do exterior, em especial os Estados Unidos. Trata-se da Aeroálcool, uma fábrica de aeronaves de pequeno porte que apostou numa tecnologia diferente - o combustível é o álcool e a montagem é basicamente manual - para baratear o custo dos aviões no país. Os modelos, chamados de Quasar Lite, utilizados para treinamentos, lazer e pequenas viagens, são feitos passo a passo com mão-de-obra nacional, custam R$ 110 mil e têm capacidade para duas pessoas. Eles medem um pouco mais de cinco metros e pesam 480 quilos. Com uma equipe de 20 funcionários, entre desenvolvimento, produção fabril e administrativo, a empresa tem conseguido entregar, em média, dois aviões por mês. Pelo menos quatro já estão nos Estados Unidos e uma nova remessa deve ser enviada em breve. No mercado interno, os principais clientes são fazendeiros, que adquirem o Quasar Lite para viajar de uma fazenda a outra em pouco espaço de tempo. “São pessoas comuns de todas as partes do Brasil, pois o mercado de venda de aviões extrapola os limites geográficos. Não é como comprar um carro na revenda da esquina. É necessário um tempo de namoro, confiança e acompanhamento do projeto”, disse o engenheiro aeronáutico e sócio-proprietário da Aeroálcool Omar José Junqueira Pugliesi. Ele também lembrou que a compra é fácil de ser feita, porém o interessado precisa ter habilitação adequada para operar a aeronave. “Há uma certa burocracia e a pessoa precisa de treinamento”. Antes de começar a fabricar os aviões, Pugliesi ficou mais de três anos em cima do desenvolvimento do projeto. Uma das idéias era buscar o certificado para adaptar motores de aviões a álcool. Entre as vantagens estão redução de custos até a não-agressão ao ambiente. “Não fomos os primeiros a implantar o álcool como combustível aeronáutico, mas sim os pioneiros a mostrar viabilidade nesse uso”. Diferente da indústria automobilística, na fabricação de aviões não existe automação. O processo tem baixa precisão e produtividade. Leva-se em torno de três a quatro meses para montar uma aeronave. “O nosso avião é 100% feito em Franca, com exceção do motor. Desenvolvemos o projeto, treinamos os funcionários para depois montar a aeronave. Trabalhamos para que ela seja fácil de ser pilotada e tenha um baixo custo de aquisição, operação e manutenção”, explicou Pugliesi. O engenheiro diz ainda que o fato de estar em Franca, apesar dos convites de outras cidades (veja matéria nesta página), se deve ao amor pela terra das três colinas. “Franca tem condições boas de pista, de estrutura de aeroporto, temos uma indústria mecânica competente, mas do ponto de vista estratégico estamos longe de São Paulo. Se estivesse na capital, facilitaria muito em alguns sentidos. Estou em Franca porque sou francano”, diz.

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