Seja qual for o resultado da atual crise internacional, a verdade dolorosa é que o Brasil perdeu o bonde desses doze anos de exuberância da economia mundial.
A crise está se alastrando. Apesar de manifestações otimistas daqui e dali, fica claro que mesmo os ensinamentos trazidos pelas crises anteriores foram insuficiente para preparar o mundo para novas crises.
Não haverá como a atual crise não afetar a economia real e o comércio mundial. O crédito secou no mundo. O volume de comércio será reduzido. A própria China terá que diminuir o ritmo de atividade econômica para enfrentar pressões inflacionárias.
O Brasil tem o conforto ainda de superávits comerciais sustentados pelos preços dos produtos primários, mas jogou fora os dois momentos mais importantes da história contemporânea.
O primeiro, em 1994, quando a estabilização da economia permitiu o florescimento de um mercado de consumo popular reprimido. Esse processo se deu ao mesmo tempo em que as grandes multinacionais estavam realocando suas unidades de produção pelo mundo. E o Brasil, ao lado da China, seria um dos portos de atração desse investimento.
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Os chineses aproveitaram esse momento para um salto fundamental. Concentraram toda sua política de atração de investimentos para absorver tecnologia, meios de produção, novas indústrias. Apesar de possuir uma infra-estrutura precária, acenava com um mercado de consumo crescente e um mercado potencial extraordinário e, especialmente, uma política de câmbio competitivo e taxas de juros baixas.
Na partida do Real, os economistas provocaram uma apreciação da moeda, visando lucros no mercado de câmbio. Essa armadilha amarrou a economia brasileira, impediu-a de crescer e ganhar musculatura. A descompressão do câmbio, em 1999, trouxe algum gás para a economia, mas insuficiente para relançá-la.
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A segunda tragédia ocorreu no primeiro ano do governo Lula. Em 2002, a desvalorização cambial - fruto de crise internacional e da instabilidade política - permitiu entrar em 2003 com perspectivas inéditas de retomada de crescimento. Escapava-se da armadilha cambial. Milhares de pequenas e médias empresas passaram a buscar o mercado externo. O agronegócio explodiu.
Ajudado pela expansão da liquidez internacional e do fator China, a economia mundial entrou em uma fase de expansão inédita.
Mas a política monetária de Antonio Palocci e Henrique Meirelles, avalizada por Lula, jogou fora a grande oportunidade. Com o câmbio apreciado, o produto brasileiro perdeu competitividade. A carga tributária aumentou, as exportações de manufaturados foram perdendo gás.
Aproveitou-se para reduzir a dívida externa brasileira, e o componente cambial na dívida pública. Graças aos preços das commodities, o Brasil entrou menos vulnerável na crise atual.
Mas sairá dela como entrou, sem ter conseguido dar o grande salto de industrialização e desenvolvimento que teria conseguido, caso tivesse sido conduzido por estadistas nesses doze anos.
Ao final desse período, tem-se o maior processo de concentração de renda da história.
varejo
As vendas do comércio varejista fecharam o primeiro semestre de 2007 com crescimento de 9,9% - mais do que os 5,7% registrados em igual período de 2006. Foi a melhor marca semestral desde o início da pesquisa do IBGE, em 2001, e supera a expansão de 9,3% dos seis primeiros meses de 2004, ano de forte expansão econômica (5,7%). Para Reinaldo Pereira, economista da coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, a “conjuntura econômica favorável” impulsionou o varejo. Entre fatores positivos, citou juros mais baixos, prazos mais longos de financiamento, renda, emprego e massa salarial em alta e inflação controlada. Segundo ele, a desvalorização do dólar também teve “papel importante” para estimular o setor, ao baratear produtos importados. Com tal cenário, o comércio varejista cresceu em todos os seis primeiros meses do ano na comparação livre de influências sazonais com os meses imediatamente anteriores. Em junho, a expansão foi de 0,4% - em maio, havia sido de 0,6%. Na comparação com junho de 2006, as vendas subiram 11,8%. Entre os setores com mais peso no varejo, o melhor desempenho ficou com móveis e eletrodomésticos, beneficiado por prazos mais longos de financiamento e crédito em expansão. As vendas subiram 16,5% no primeiro semestre.
inss.
O Ministério da Previdência Social pediu ajuda da Polícia Federal na investigação sobre fraudes nos empréstimos consignados a aposentados que supostamente estariam sendo praticadas nas dependências do PrevFone (central de atendimento telefônico da Previdência) em Brasília. Segundo nota divulgada ontem, o Ministério já vinha apurando os indícios de fraude. No início do mês, a Previdência Social encaminhou ao Ministério da Justiça, ao Ministério Público Federal e à Controladoria Geral da União (CGU) detalhes da investigação, que foi iniciada em março, e solicitou providências. Desde o ano passado, a Previdência Social tem tentado criar um controle maior sobre o trabalho dos operadores, que são contratados por prestadoras de serviço. Nos contratos, estão previstas cláusulas de confidencialidade e restrições para uso de informações, além de sanções penais e administrativas. Além disso, todas as conversas devem ser gravadas, assim como as telas do computador que o operador acessar. Isso permite o rastreamento das operações realizadas. A senha de acesso do operador é de uso restrito, pessoal e intransferível. Até o final de junho, os empréstimos feitos para aposentados com desconto em folha somavam R$ 25 bilhões. A taxa de juros é limitada a 2,64% ao mês, e o empréstimo pode ser parcelado.
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