Sobre duas rodas


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A cidade de Franca é conhecida como cidade das três colinas, que foram sendo ocupadas em torno da antiga Igreja Matriz, da estação ferroviária e da Santa Cruz. Hoje, são várias as colinas, a cidade se esparramou tanto que do Jardim Paineiras até o Jardim Aeroporto 4 são quase 20 quilômetros de distância. Isto faz com que aqueles que moram nos bairros mais distantes e precisam ir ao centro para trabalhar, para fazer compras, para passear, para namorar, para ir a uma agência bancária, precisam despender um bom tempo no ônibus ou no carro. No entanto, cerca de 30 mil pessoas, diariamente, preferem um outro jeito de andar pela cidade: usam as bicicletas, as magrelas, que rodam por todos os cantos da Franca. Um dos principais problemas que o mundo enfrenta é a questão da energia. Todos se lembram do sufoco que foi, no governo do FHC (leia-se PSDB), ter que conviver com o apagão. Teve um lado positivo, aprendemos a economizar energia. Usar bicicleta também tem este lado positivo. É um meio de transporte limpo, não faz barulho, não emite fumaça ou gases, é saudável para o ciclista, que queima calorias. Não se gasta com petróleo nem com energia elétrica, ou seja, é um transporte ecológico e barato. Tem gente que usa para o lazer, nas tardes de sábados e domingos, é comum ver famílias inteiras pedalando pela cidade, conversando, o engenheiro Fernando Caleiro é um deles. Nos outros dias, as magrelas são usadas para ir ao trabalho, e então elas enfrentam o trânsito e outros veículos, todos maiores e mais pesados, o que as tornam mais frágeis ainda. É por isso que o governo municipal precisa desenvolver urgentemente o Plano Municipal de ciclovias, que prevê faixas de ruas adaptadas e sinalizadas para o uso da bicicleta, em toda a cidade: serão, no futuro, 125 quilômetros de ciclovias por toda a cidade. Pouca gente percebe é que, mesmo com a topografia íngreme, é possível ir do Aeroporto até o Distrito Industrial sem grandes rampas, só pegando os espigões das velhas colinas, usando parte do antigo traçado da linha de trem. Este projeto foi transformado em lei pelo novo Plano Diretor da cidade, aprovado no governo Gilmar Dominici, uma lei que aponta os rumos do desenvolvimento da cidade. Foi aquele governo que iniciou uma significativa mudança de comportamento em relação aos transportes na cidade. As ciclovias não serão feitas num passe de mágica, porque suas obras precisam de financiamento, mas é preciso que todos aqueles que usam a bicicleta vejam que o seu meio de transporte é tão importante quanto os outros, as cidades não podem ser feitas apenas para os carros particulares, tem que haver espaço para todos. O atual governo precisa demonstrar a vontade de mudar a situação aplicando recursos de verdade (há milhões para recapear ruas, mas migalhas para bicicletas, usadas pelos mais pobres), de tratar os usuários das magrelas como cidadãos, com os mesmos direitos que aqueles que têm um carro. É um trabalho longo para conscientizar certos governantes (que teimam em não querer dar seqüência ao que o anterior fazia de bom, pura picuinha pessoal, mesquinharia) e as pessoas da importância deste caminho, mas que a longo prazo pode mudar o rumo da vida na cidade. Infelizmente, o governo de Sidnei não tem tantas marchas quanto as bicicletas. Só uma: a ré... MAURO FERREIRA é arquiteto

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