Governo quer dobrar vasectomias na região


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Alexandre Martins posa ao lado da esposa Ana Cristina e de três dos cinco filhos. Sapateiro fez vasectomia em abril e diz estar feliz com a decisão
Alexandre Martins posa ao lado da esposa Ana Cristina e de três dos cinco filhos. Sapateiro fez vasectomia em abril e diz estar feliz com a decisão
A cada dia, um homem realiza a cirurgia de vasectomia pelo SUS (Sistema Único de Saúde) na região. O procedimento, realizado para evitar que homens com capacidade reprodutiva tenham filhos, é feito de graça pelo Governo Estadual, que quer, até 2010, dobrar o número de atendidos. Para realizar a cirurgia, é necessário que o paciente passe primeiro por uma Unidade Básica de Saúde, onde preencherá um termo de concordância e será avaliado por médicos e psicólogos. Depois, ele será encaminhado ao NGA-16, onde será credenciado para a vasectomia. A cirurgia dura em média 30 minutos e o paciente vai para a casa no mesmo dia. O repouso do pós-operatório deve ser de, no mínimo, cinco dias. No ano passado, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o número de homens que decidiram não ter mais filhos aumentou 60% em relação a 2005. Foram 395 operações contra 247. A rede pública só não não atende mais pessoas porque é feita uma triagem rigorosa de avaliação dos interessados por um comitê de planejamento familiar para esclarecer ao paciente os prós e contras. O médico especialista Otto Cézar Barbosa Júnior explicou que, por ser um método considerado definitivo, é importante que o homem passe pela orientação. “Nós não fazemos a cirurgia no consultório justamente para que o homem passe pelo comitê de planejamento familiar”. Aos 35 anos, o sapateiro Alexandre Martins passou por essa experiência e entrou na lista dos homens que não associam a vasectomia à impotência, falta de prazer ou outros mitos e preconceitos. Pai de cinco filhos, os três últimos do segundo casamento, Alexandre e a mulher decidiram que o melhor método para evitar a chegada de mais um bebê na casa era a vasectomia. Em outubro do ano passado, Alexandre passou pela primeira entrevista com o comitê de planejamento familiar. Lá, deram um prazo de dois meses para que ele pensasse sobre o assunto. Em dezembro, o sapateiro voltou com a resposta: “Quero fazer a cirurgia”. Quatro meses depois, em abril deste ano, Alexandre estava na mesa de cirurgia para ser operado. Hoje diz não se arrepender. “Agora eu e minha mulher estamos mais tranqüilos e ela não precisa tomar medicamentos”. Para aqueles em que o desejo de ter mais um filho volte à tona, há a reversão da cirurgia. Nos primeiros cinco anos, de acordo com Otto Barbosa, a eficácia é de 80%. O rei Pelé recorreu à reversão em 1996, quando decidiu ter filhos com sua atual mulher, Assíria Brito. Deu certo. Ela engravidou. O craque havia feito a vasectomia 17 anos antes e já era pai de quatro filhos.

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