Quase 180 mil pessoas têm descontos e encarecem eventos em Franca


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As leis municipais que concedem descontos parciais ou totais no preço dos ingressos têm tirado Franca da rota dos grandes espetáculos. Quem quiser promover shows, peças teatrais, rodeios e qualquer outro tipo de evento em prédios da Prefeitura terá de encarar uma dura realidade: quase 180 mil pessoas na cidade têm direito a pagar meio-ingresso ou entrar de graça. São seis leis em vigor e outras duas em tramitação que garantem gratuidade a 90 mil e abatimento de 50% a outros 88 mil. Segundo promotores de evento, isso tem tirado a cidade da rota de grandes espetáculos e inflacionado os preços dos ingressos em até 40%. Para o promotor Ricardo Chaebub Rodrigues, que realiza shows e eventos em toda a região, a situação tem “queimado” Franca, que recebe um número pífio de grandes espetáculos, se considerados seus mais de 328 mil habitantes. “A quantidade de isenções assusta. Muitas vezes, o promotor faz o evento em outras cidades próximas, recolhe impostos em outro município por causa disso”, disse. “Eu mesmo teria um evento em novembro aí, mas repensarei sobre isso”. Entre os que não pagam ingressos estão idosos acima de 60 anos, aposentados de qualquer idade com renda de até R$ 1,1 mil, policiais militares em serviço ou à paisana e portadores de necessidades especiais. Estes últimos, que totalizam 31,7 mil na cidade, além de não pagar, têm direito a levar um acompanhante cada, também “na faixa”, estendendo o benefício a mais de 63 mil pessoas. A meia-entrada é facultada a 3,9 mil professores, de qualquer nível de ensino, desde primário a universitário, e empregados em qualquer esfera educacional, até mesmo na rede particular. Também com 50% de desconto, aparecem os estudantes. A lei federal restringe a regalia aos filiados à UNE (União Nacional dos Estudantes), mas uma outra, municipal, abre o leque e incluiu todos os estudantes de Franca. Com isso, atinge outros 84 mil beneficiados. Se não bastasse tanta gente pagando metade ou nada para participar dos eventos, há outros dois projetos de lei em tramitação na Câmara dos Vereadores, que deverão entrar na pauta das próximas semanas, que poderão estabelecer a gratuidade a outras 3,2 mil pessoas, entre policiais civis e servidores públicos municipais. Por serem projetos considerados populares, deverão ser aprovados sem dificuldades pelo Legislativo e podem acabar sancionados pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB). SEM SAÍDA A realização de grandes eventos na cidade passa, obrigatoriamente, pelos próprios municipais. Somente Parque “Fernando Costa”, Pavilhão “Américo Pizzo”, ginásio do Poliesportivo e “Lanchão” têm capacidade para receber públicos superiores a 15 mil pessoas. Entre os particulares, o Castelinho, que comporta até 9 mil, é o maior recinto. Mas, ainda assim, não há muita escapatória para os promotores, pois a gratuidade a aposentados e meia-entrada a estudantes e professores vale também nesses locais. “Para não ficar no prejuízo, a gente precisa dobrar o preço e ‘fingir’ que cobra meia. Senão, é prejuízo na certa”, disse um promotor, que pediu anonimato.

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