Na minha infância em Franca fui criança o máximo que pude. Acreditava em tudo e em qualquer coisa, sem precisar ter nenhum fundamento científico ou ordem lógica. Bastava a minha vontade e o mundo ficava de ponta-cabeça, as coisas mudavam de cor ou eu saía voando pela janela do meu quarto.
Dentro da minha cabeça, o mundo era magia pura. A qualquer momento eu podia ser arrebatado por uma fada e carregado para a Terra do Nunca, rindo e cantando músicas em línguas ancestrais que jamais conheci. E às fadas, duendes e seres fantásticos juntavam-se os monstros aberrantes que moravam no meu armário escuro e embaixo da cama. Morria de medo das sombras silenciosas do meu quarto, mas era justamente esse medo que me deixava mais feliz pela manhã, quando despertava e via que nada tinha acontecido, e com a entrada do sol matinal, iam-se embora meus terrores noturnos, que nem me assustavam tanto, afinal.
Então veio o tempo, incansável na sua árdua tarefa de envelhecer todos nós, implacável e irremediavelmente, e me tirou daquela fase, me jogando na vida adulta, dos problemas, tristezas, crises, soluções e responsabilidades. E desse modo, à noite, quando só havia eu mesmo para conversar e minha esposa já dormia, me perdia nos desejos tolos de ter de volta, se fosse possível, pelo menos um dia de minha vida infantil, calma, tranqüila, onde só precisava me preocupar com quais novos monstros eu teria de enfrentar à noite, quando minha mãe apagasse a luz do meu quarto.
Infelizmente, sempre soube que isso não seria possível. Teria de me acostumar com a idéia, para mim tão difícil, de que a vida corre cada vez mais rápida, e assim ela passa. Quando essa conclusão indiscutível vinha na minha cabeça, entregava os pontos, virava para o lado e voltava a pensar em como resolver todas as coisas de adultos que restavam na vida real do dia-a-dia, dar voz às minorias, escrever sobre os pesadelos que elas são obrigadas a encarar acordadas. Mas as minorias são muitas e não haverá espaço.
Hoje a vontade que tenho é de dar nome aos bois, revelar a razão social das grandes empresas de Franca e região que poluem os rios e o nome de alguém da vizinhança que não separa o lixo. Mas não dá, eles são muitos também. É uma vontade de gritar coisas que estão erradas e que ninguém faz nada para ajustá-las, como o trânsito que continua matando nas ruas de Franca e não surge nenhuma campanha de esclarecimento; como os assaltantes que invadem casas e nos atacam em plena luz do dia. Esses covardes.
O mal do século é a solidão? Não, o mal do século é a covardia.
Covardia com gente, bicho, planta, água, ar. Covardia contra a moral, contra a paz. Dá vontade de escrever linhas e linhas sobre todos os casos que nos mostram os jornais, a TV, sobre de quem é o mundo, afinal, de Deus ou do diabo? No entanto, a certeza de que algo de bom e bonito existe nos faz guardar ainda acesa a chama dentro do coração. Se o sol vai e volta, a lua some e reaparece, as marés baixam e sobem, não há razões para não darmos a volta por cima. A natureza é a prova viva de que tudo está em movimento sempre e nós fazemos parte dessa paisagem idealizada e plantada por Deus. Não podemos desistir de ter esperança num mundo melhor enquanto o sol não desistir de renascer.
ASFALTO
Será que alguém poderia me explicar por que, tempos atrás, a Rua Voluntários da Franca não foi totalmente asfaltada? Paralelepípedos que escorregam demais em tempo de chuva e complicam a vida dos motoristas, continuam até o cruzamento com a Rua Homero Alves, centro da cidade. Dali, sentido Estação, a Voluntários da Franca é asfaltada. Como é uma das principais vias de Franca, vamos torcer para que o Prefeito Sidnei Rocha invista um pouco desses R$ 30 milhões de massa asfáltica recapeando essa rua por inteiro.
CARRO ZERO
A compra do carro 0 km se tornou uma realidade para o francano, com a alta oferta de crédito e os prazos de pagamento mais longos. Adquirir um automóvel pode ser tão fácil quanto levar para casa uma geladeira. Entretanto, se o consumidor não ficar atento, as parcelas que cabem no bolso podem surpreender na conta final: a soma pode chegar ao valor de outro carro, ou seja, compra-se um pelo preço de dois. Antes de fechar qualquer negócio, o comprador deve ficar atento à taxa de juros que será cobrada. Ela chega a variar entre 1% e 2,5%. Assim, ao levar em conta a taxa mais alta, combinada com o financiamento mais longo (72 meses, o consumidor chega a pagar 116% a mais pelo produto.
POSITIVO
Seria interessante que a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer da Prefeitura de Franca, que todos os anos realiza o passeio até Restinga, lançasse um programa para incentivar o hábito de caminhar entre os francanos. Poderia, por exemplo, através de folhetos, repassar informações sobre a importância da caminhada, dos riscos da obesidade, além de sugerir exercícios de alongamento e flexibilidade. Estes folhetos poderiam trazer informações sobre como e onde caminhar, como controlar a freqüência cardíaca, o tempo e a velocidade da caminhada. Positivo também seria uma pesquisa sobre a obesidade na cidade de Franca. Os números podem assustar.
NEGATIVO
Ninguém agüenta mais o cheiro fétido dos bueiros em Franca. Alguns localizados bem no Centro. A continuar assim, em breve os urubus farão concentração nas ruas da cidade.
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