O preço médio do litro do álcool tem se comportado como uma verdadeira gangorra nos postos de Franca. No último fim de semana, chegou a variar até 40% no mesmo estabelecimento. Na sexta, o álcool era vendido a R$ 1,09; baixou para R$ 0,89 no sábado, preço que permaneceu no domingo. Ontem, por “coincidência”, dos 16 postos consultados pelo Comércio, dez comercializavam o combustível a R$ 1,19.
Os proprietários de postos foram procurados para falar a respeito da mudança brusca, mas poucos quiseram se pronunciar. Dois deles, contudo, sob condição de anonimato, confirmaram: houve conversas entre os donos para aumentar o preço do combustível. “Foi uma adequação, já que os preços dos postos de bandeira branca estavam impossibilitando a competição com os bandeirados”, disse um deles.
Um frentista de um posto de bandeira branca, que também pediu anonimato mas aceitou gravar depoimento, denunciou ao jornal ter presenciado ameaças de donos de outros postos da cidade, que se diziam do sindicato, ao seu patrão para que aumentasse o preço. Caso contrário, seu estabelecimento “seria esmagado” pelos maiores, ou seja, os bandeirados.
Todos os consultados afirmaram, porém, que não houve aumento nem nas usinas nem nas bombas. O dono de posto paga hoje, em média, cerca de R$ 0,79 por litro de álcool, o mesmo valor registrado na últimas semanas. “Trata-se de uma estratégia para agitar o mercado. Não houve diferença por parte das distribuidoras. Estamos em plena entressafra, um abaixou o preço e os demais, para não perderem clientes, seguiram”, disse outro dono de posto.
OUTRO LADO
Proprietário de nove postos na cidade, Juliano Fadel Ribeiro descarta que haja uma combinação de preços. Ele diz ser grande a concorrência e impossível de prever valores de combustível, em especial o álcool. “Acompanho o mercado há muito tempo e não consigo mais prever qual o preço que será praticado amanhã. Não há como formular. Depende do estoque, da localização, da estrutura do posto e até mesmo das condições climáticas”.
O presidente regional do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), Luís Cláudio Coelho Lima, foi procurado durante todo o dia de ontem, em pelo menos cinco ocasiões diferentes, mas não retornou aos recados nem atendeu à reportagem.
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