Ganhando a vida no picadeiro


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Respeitável público, o espetáculo vai começar!... E com ele mais um dia de trabalho para os que ganham a vida na corda bamba entre truques e mágicas para alegrar as pessoas. São trapezistas, acrobatas, palhaços, globistas, equilibristas, bailarinas, malabaristas, contorcionistas, mágicos e domadores, que acordam, em média, às 9 horas e trabalham cerca de 12 horas por semana no picadeiro. Sem contar o tempo que se dedicam às atividades “normais”, que pode não parecer, mas também fazem parte da rotina do circo, como limpar a casa, ou melhor, o trailer, lavar e passar as roupas, levar as crianças ao colégio, fazer comida, pegar a fila do banco, tratar dos animais e ainda ter fôlego para treinar. Pode não parecer, mas a vida desses artistas não é piada. O malabarista, locutor, equilibrista e globista do Circo Fantástico Globo, que está na cidade há mais de duas semanas, Cristiano Marinho, 28, nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Aos 16 anos, começou a trabalhar no circo como vendedor de fotos. Com autorização dos pais, saiu de casa e ficou longe da família. Ao longo dos anos, aprendeu outras funções embaixo da lona. Depois de 12 anos na vida circense, não quer outra coisa que não viajar por todo o País e conviver com pessoas e culturas diferentes. “Conhecer, viajar e aprender a viver de maneiras diferentes é o grande barato da minha profissão. Tudo isso somado aos aplausos do público não me fazem querer outra coisa. Amo o que faço”. Cristiano não está sozinho, sua filha de 9 anos e a mulher também são artistas. A família sobrevive do salário que ganha no circo e, para aumentar a renda, que pode chegar a R$ 1,5 mil por semana, vende maçãs-do-amor e chaveiros no intervalo do espetáculo. E se engana quem pensa que, para ser artista circense, é preciso abrir mão de uma aposentadoria segura e de todos os direitos trabalhistas. A profissão tem sindicato e a maioria dos circos garante ao artista registro em carteira, 13º salário e férias. “O circo é uma empresa como outra qualquer”, disse Cristiano. Mas para os que não pretendem ficar muito tempo na profissão, Cristiano garante que serviço é que não vai faltar. “Aprendemos de tudo um pouco no circo. Um artista é também eletricista, soldador, figurinista, costureiro, maquiador, professor, motorista...”. O bico também é uma saída para aqueles que não abrem mão da vida “normal”. O ator Hélio Simões trabalha como palhaço e malabarista há quase dez anos em festas, formaturas e eventos da cidade. Em média, ele e seu parceiro cobram R$ 150 por duas horas de trabalho e chegam a ganhar quase R$ 400 por semana. “A profissão é instável, mas é muito gratificante”. Hélio começou sua carreira fazendo cursos de técnicas circences e considera esse o primeiro passo a ser tomado para uma pessoa se transformar em um artista. “Quem nasce no circo, respira circo e aprende tudo lá mesmo, mas, para as pessoas que não têm nenhuma relação direta com esse mundo e querem fazer parte dele, o segredo é procurar uma instituição que possa lhes ensinar os primeiros passos”, disse Hélio. Cristiano afirma que o curso não é obrigatório, mas recomenda para que o artista entenda a profissão. “Não é porque você sabe contar piada que pode ser palhaço. O circo é muito mais que isso. É preciso amar o que faz e estar disposto a fazer cada vez melhor”. CIDADE DO CIRCO Para os que se interessaram pela profissão, a Escola Cidade do Circo, que fica na Avenida Caramuru, 1568, em Ribeirão Preto, oferece aulas de todas as modalidades circences. As aulas acontecem de segunda a sábado, com duas horas de duração cada. A mensalidade custa entre R$ 70 e R$ 105. Para se inscrever ou fazer uma aula experimental, basta ligar para o telefone (16)3911-3728 e agendar a visita à escola. Em Franca, não há escolas do gênero.

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