Dois indicadores deverão ser bem acompanhados na atual crise internacional: os de crédito e os preços de commodities. Os de crédito anteciparão os efeitos da crise sobre o crescimento mundial; os de commodities, sobre os preços dos principais produtos de exportação brasileiros. São os dois fatores capazes de influir na economia brasileira nos próximos meses.
O próprio fato de o dólar ter batido nos R$ 2,00 ontem revela, de um lado, o investidor brasileiro ainda muito escaldado das crises anteriores. Mas mostra que não dá para minimizar os efeitos da crise sobre a economia brasileira.
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Nos últimos 15 dias, as principais commodities metálicas registraram queda de até 20%, influenciadas principalmente pela crise imobiliária nos EUA. As previsões do FMI, de crescimento da economia mundial, e desaquecimento da americana, são muito precoces, feitas no epicentro da crise. Na verdade, continua todo mundo com o dedo no gatilho, aguardando mais novidades.
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O consultor André Delben Silva, da Advisor Asset Management, montou um modelo interessante de análise das ondas especulativas, a partir dos estudos da consultoria de investimentos Gavekal de Hong Kong.
A consultoria definiu quatro tipos de bolhas especulativas, a partir da combinação de quatro fatores. No plano dos recursos, o grupo de “bolhas” provindas de financiamento bancário; e aquelas que nascem no mercado de capitais. No plano das aplicações, as bolhas produtivas (que deixam saldo de novas tecnologias) e as não produtivas (em cima de ativos).
Na categoria “produtivas com empréstimos bancários”, situa a bolha das ferrovias americanas no século XIX; “produtivas com mercado de capitais”, as bolhas tecnológicas dos anos 90; “improdutivas com empréstimo bancário”, a especulação imobiliária dos anos 80, financiada por bancos japoneses; “improdutiva com mercado de capitais”, a especulação com ouro nos anos 70.
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Ponto interessante do trabalho é o processo de consolidação de falsas convicções que levou à bolha da Nasdaq. Tomando por base as avaliações do então presidente do FED (o Banco Central americano), a consultoria dividiu a especulação em três fases. Na primeira fase, do Ceticismo, em 1996, Greesnpan alertava para a “exuberância irracional” dos ativos. Na segunda fase, da Confiança (em 1998) manifestava fé na Nova Economia, e no crescimento sem precedentes dos EUA. Na terceira fase, em 2000, da Certeza, dizia que “é difícil negar que algo fundamentalmente mudou”. Essa fase, da Certeza, aconteceu pouco antes da “bolha” explodir.
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Há diferenças de agora em relação à crise da Rússia, em 1998. Economista-chefe do Banco Itaú, Thomas Malaga julga que, na atual crise internacional, a supervisão do BIS (o banco central dos bancos centrais) avançou muito, no campo da administração de risco.
Malaga não chega ao ponto de afirmar que a atual crise não terá repercussão na economia real. Muitos investidores pagarão caro. Todos os indicadores de crédito apontam os bancos emprestando menos, afetando consumidores e investidores, o que deve influir no crescimento mundial. Mas não acredita em nada drástico.
De qualquer modo, o Departamento Econômico do Itaú reduziu a queda da taxa Selic para três reduções de 0,25 até o final do ano.
DÓLAR
A turbulência mexeu com mais força no mercado de câmbio ontem e levou o dólar a seu valor mais elevado em três meses. A moeda dos EUA encerrou as operações vendido a R$ 1,985, valorização de 2,11%. Já a Bovespa teve perdas de 2,90% e terminou seu pregão com 50.911 pontos, menor patamar desde 24 de maio. Pela primeira vez em cerca de um ano, o Banco Central deixou de atuar no mercado, comprando dólares num dia útil. Com o dia tenso, a moeda americana encostou nos R$ 2 sem a ajuda oficial. Na máxima registrada ontem, o dólar foi negociado a R$ 1,999. “Muito investidor estrangeiro está tendo de se desfazer de ativos por aqui e em outros mercados emergentes para cobrir perdas ou posições desfavoráveis lá fora”, disse José Roberto Carreira, gerente de câmbio da corretora Novação. Apesar da turbulência, o mercado ainda aposta na manutenção do dólar em níveis mais baixos. A última pesquisa Focus do BC, feita com cem instituições financeiras na sexta-feira, mostrou projeção média de R$ 1,85 para o dólar no fim do ano. Na Bovespa, o saldo das operações com capital externo tem piorado dia-a-dia.Neste mês, até o dia 9, os estrangeiros mais venderam que compraram ações no montante de R$ 1,526 bilhão. Em todo o mês de julho, com o pior saldo desde o Plano Real (1994), o balanço ficou negativo em R$ 3,248 bilhões.
PETROBRAS
A Petrobras divulgou ontem o plano de negócios para o período de 2008 a 2012. A previsão é que os investimentos da estatal somem US$ 112,4 bilhões entre 2008 e 2012. O número é 29% maior em relação à estimativa anterior, que previa gastos de US$ 87,1 bilhões para o período de 2007 a 2011. Anteontem, a Petrobras anunciou lucro líquido de R$ 10,93 bilhões no primeiro semestre de 2007, uma queda de 20% sobre o mesmo período do ano passado (R$ 13,63 bilhões). A previsão de investimentos indica média anual de investimento no período compreendido entre 2008 e 2012 de US$ 22,5 bilhões. Segundo divulgou a Petrobras ontem, a produção total de petróleo e gás no Brasil e no exterior vai totalizar 3,494 milhões barris por dia em 2012. Em 2006, foi 2,298 milhões barris por dia. A estatal calcula investir US$ 65,1 bilhões em exploração e produção de petróleo e gás entre 2008 e 2012 (32% mais que os US$ 49,3 bilhões destinados ao período 2007-2011).
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