A dona de casa Marina Aparecida Custódio dos Santos, 41, levanta todos os dias às 5h30, pega sua carroça e sai pelas ruas de Franca para coletar lixo reciclável. Como sua única fonte de renda, no fim do mês a catadora de lixo obtém um salário mensal de, em média, R$ 260. Mas, para Marina, seu serviço é muito mais importante que qualquer outro emprego. “Tem gente que ganha bastante dinheiro, mas não tem uma consciência social. Eu ganho pouco, mas pelo menos faço um bem à natureza”.
Ela percorre cada dia um bairro diferente. Depois de uma jornada de trabalho de seis horas, batendo de porta em porta para recolher o lixo dos moradores, ao fim do dia ela consegue, em média, 142 quilos de recicláveis. “A cada lixo que recolho me sinto feliz por estar evitando as enchentes, a contaminação do solo e a poluição do meio ambiente”.
Entre diferentes materiais como papelão, latinhas, caixas de leite e ferro, as garrafas PET são os recicláveis que Marina consegue em maior quantidade. Com cada quilo de garrafa (em média 60 pets) ela obtém R$ 0,40. Depois que recolhe, por volta das 14 horas, ela vai para casa separá-los. “Os que são de ferro, separo dos plásticos e papéis”. Por volta das 17 horas, encerra o expediente. No outro dia de manhã, antes de começar sua rotina, ela leva o que recolheu para o depósito de sucata.
De lá, cada tipo de sucata é vendida para empresas específicas reutilizarem.
Mas se os mais de 142 quilos de recicláveis de Marina fossem deixados nas ruas de Franca todos os dias, eles iriam demorar longos anos para se decompor no meio ambiente. As garrafas pet, por exemplo, demoram em média 200 anos. As latinhas, um pouco mais, em média 500 anos para decomposição. “Se cada catador igual a mim recolher os reciclados certinho e o pessoal não ficar espalhando lixo, as ruas vão ficar bem mais limpas e o mundo também”.
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Quando comprou sua residência, em 1988, o atendente de farmácia Reinaldo Silveira Borges, 56, achou que faltava alguma coisa nela. Foi quando respirou fundo e pensou: “Preciso de um cantinho com sombra para dar mais ar puro”. Resolveu então plantar árvores. Com uma área livre de 400 metros quadrados no fundo de sua casa, ele enterrou dez sementes de árvores frutíferas em diferentes locais. Mas depois, não parou mais.
Atualmente, o atendente possui em seu quintal 22 árvores de flores e frutos em portes pequenos e grandes.
Segundo Reinaldo, plantar árvores além de oferecer alimentos para nosso organismo e enfeitar a casa, também tem a importante função de trazer oxigênio à vida das pessoas. “Nada mais ecológico do que as plantas, elas são essenciais para gerar o ar que respiramos”, diz. A primeira árvore que Reinaldo plantou foi uma mangueira. “Hoje ela está com 19 anos e é a mais alta, com cerca de 15 metros”. Depois ele plantou pés de caju, pitanga, laranja, limão e as de flores como rosas, cravos, espirradeira, beijo-de-estudante, entre outras.
Cada árvore recicla em média 180 kg de gás carbônico por ano e as 22 que Reinaldo plantou ajudaram - pelo menos um pouco - na melhoria do ar em Franca. Diariamente, uma árvore com 13 metros de altura absorve cerca de 250 litros de nutrientes que são transformados em pelo menos 2 metros cúbicos de oxigênio puro.
Em São Paulo, maior cidade brasileira e a mais poluída, para cada minuto de emissão de gás carbônico seria necessário plantar 150 árvores para que o ar volte a ser puro. “Faz um enorme bem a todos. Não quero parar de plantar, esta semana mesmo plantei uma roseira, está ainda bem pequena”, completa Reinaldo.
O atendente afirma que não há custo nenhum em plantar e nem para manter uma árvore. “É muito simples, a gente planta e a natureza se encarrega de cuidar”. As sementes ele conseguiu através das próprias frutas e as mudas ele ganhou. Hoje as árvores são motivos de lazer entre a família.
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