Antes mesmo das atenções se voltarem para o tema aquecimento global, Francisco de Assis Morais, 65, sempre foi preocupado com a preservação da natureza. Mas o que o aposentado não esperava era que dentro do quintal de sua própria casa estava a chance de contribuir para o meio ambiente. Há 13 anos, enquanto capinava o mato do seu terreno, Francisco descobriu duas nascentes. “Estava cavando e, de repente, começou a jorrar uma água cristalina.
Meses depois, achei mais uma, local onde hoje fica meu quarto”, diz. A primeira atitude do aposentado foi cuidar das duas fontes, que ficam em uma rocha a oito metros em baixo da terra, para que não cessassem.
Morando sozinho e recebendo um salário mínimo (R$ 380), ele resolveu investir nas nascentes. “Se fosse outra pessoa, podia desviar ou até mesmo acabar com elas, mas resolvi cultivá-las”, afirma. Francisco começou então uma reforma em sua casa para protegê-las. Plantou duas árvores no quintal e, com peças compradas em depósitos de sucata, canalizou e construiu uma piscina de 8 x 4 metros feita de retalhos de azulejos. “Por ela passam mais de 3 mil litros de água por hora, vindos das duas fontes”, conta ele, que não consegue calcular os gastos que teve durante os 13 anos com a manutenção das nascentes. Nesta piscina, ele cria pequenos peixes.
Preservadas, ele trata as duas fontes como se fossem filhas. “São minhas meninas. Muitos já tentaram cortar as árvores ou jogar lixo no terreno que dá continuidade às nascentes. Fiz até um muro mais alto para não deixar ninguém destruir nada”. Atualmente, a água que é cuidada pelo aposentado desemboca e abastece o Córrego do Espraiado, próximo ao Bairro Santa Rita e serve para aliviar a população quando falta água na cidade. “Aí vêm pessoas de vários bairros pegar água aqui e eu me sinto muito importante e feliz por ser o guardião dessa fonte que é vida”, afirma.
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Há 12 anos no Corpo de Bombeiros, Edilson Luis de Oliveira, 37, tem uma rotina agitada. Ele trabalha 24 horas durante dez dias intercalados no mês. Durante o expediente, ele e sua equipe atendem em média a seis chamados por dia para apagar incêndios em terrenos baldios, matas, residências, além de evitar queimadas e salvar vidas em acidentes. Mas, para Edilson, todo esse trabalho não é apenas o dever de sua profissão. É uma missão prazerosa. Depois de trocar a carreira de três anos como policial para realizar o sonho de ser bombeiro, Edilson diz se sentir muito feliz com o que faz. “Salvar animais silvestres, reservas ecológicas e principalmente seres humanos é muito gratificante”, diz.
Segundo Edilson, suas horas de trabalho não são suficientes para cumprir o seu papel com a preservação da natureza. Quando está de folga, o bombeiro utiliza o tempo livre para conscientizar as pessoas a evitarem os incêndios e as queimadas. Como professor de educação física em uma escolinha de futebol, ele aproveita a função para também contribuir com o meio ambiente. “Meus alunos aprendem a importância de preservar as matas, as nascentes, não colocar fogo em terrenos baldios e caçambas. Caso contrário, a natureza se volta contra nós”.
O bombeiro Edílson também ministra palestras preventivas contra queimadas, incêndios e dicas de primeiros socorros em escolas e universidades. “A cada lugar que vou, tento passar aos jovens que se cada um fizer a sua parte, não sofreremos com o aquecimento global”.
Até mesmo em casa, ele passa essa lição aos filhos. “Tenho três crianças - de 12 anos, 6 anos e 2 meses. Os dois mais novos já plantaram mais de 20 mudas de árvores comigo e já sabem que precisam cuidar do verde. Agora, só resta cada um fazer sua parte”.
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