Com bons resultados e demissões no currículo, Britto chega à Amazonas


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Coragem para demitir, disposição para entrar em polêmicas e resultados para mostrar. Com esse currículo chega ao Grupo Amazonas o ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-presidente executivo da Azaléia, Antônio Britto, que se apresenta amanhã ao Conselho de Administração do Amazonas. Ele deve ser eleito presidente da empresa, que produz componentes para calçados. A missão que encontrará é semelhante à que desenvolveu frente à Azaléia no Rio Grande do Sul. Britto assumiu a presidência daquela empresa em janeiro de 2004 e ficou até dezembro de 2006. Sob sua administração, a Azaléia teve um lucro líquido no primeiro semestre de 2006 de aproximadamente R$ 13,5 milhões, mais de três vezes o valor regis-trado no mesmo período de 2005, que foi de R$ 4,3 milhões. A polêmica veio com o fechamento da unidade de 25 anos que a empresa tinha em São Sebastião do Caí (RS), onde a Azaléia mantinha 800 postos de trabalho. A alegação foi a crise financeira do setor. No entanto, ex-funcionários e o sindicato de trabalhadores apontaram a transferência da produção para o Nordeste, onde seriam inauguradas duas fábricas no mesmo ano, como o motivo do fechamento da unidade gaúcha. Ainda em março do ano passado, Britto assumiu à revista Isto É Dinheiro que parte da produção da Azaléia, embora pequena (70 mil pares de um total de 33 mi-lhões), estava sendo produzida na China, e que esta seria a tendência do mercado. Por telefone, o ex-governador disse ao Comércio que poderia apenas falar que foi convidado a participar do conselho. "Eu recebi um convite e este convite está em fase de formalização. Tem que haver uma eleição, uma série de coisas legais a serem feitas. Já o diretor do Grupo, Saulo Pucci, declarou, ontem, que os detalhes da contratação serão divulgados nos próximos dias. O Comércio conseguiu adiantar, contudo, que a missão será rees-truturar o grupo francano, que passa dificuldades por causa da queda de produção de calçados. MÁ FASE Há dez anos, o Amazonas passa por problemas financeiros causados, boa medida, pelas sus-cessivas crises do setor calçadista - o principal mercado do Grupo - e pelos altos benefícios concedidos aos funcionários. Em março, o quadro de servidores foi reduzido em 16,5%, com a demissão de 168 pessoas de um total de mil colaboradores.

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