É um mês tenebroso


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Embora o desempenho da indústria calçadista sempre melhore no segundo semestre, as vendas dos fabricantes francanos de sapato masculino, na média geral, permanecem cambaleantes, derrapando na curva. Motivo: agosto é o pior mês do ano para a comercialização dessa linha, desde os tempos do borzeguim. Neste mês, o varejo do setor concentra suas encomendas nos calçados femininos. Já está liquidando as sobras do inverno e precisa ter nas prateleiras os lançamentos da temporada primavera-verão. Em setembro, volta-se para o masculino. Segue um calendário de compras há décadas, que não será alterado a menos que a Antártida derreta antes do previsto pelos cientistas. O fabricante do sapato masculino tem, no momento, uma expectativa elevada para os negócios de setembro a novembro. Será ótimo, muito bom, diz o grupo que consultamos. No entanto, quem teve um primeiro semestre ruim reconhece que, mesmo se confirmada a sua previsão otimista, não conseguirá fechar o ano com resultado positivo. Teria de vender uma montanha de sapato nos próximos três meses. ‘Não há como compensar as perdas. Missão impossível’, afirma o consultor Luis Faleiros. Ele pondera que por causa da crise nas exportações têm-se a impressão de estarem os negócios no mercado interno também em queda livre, atingindo todas as empresas. ‘Não é bem assim. O primeiro semestre foi desalentador para muitos, mas outros apresentam um desempenho bastante satisfatório’, destaca. Ao contrário de antes, o recuo nas exportações já não afeta tanto o desempenho dos calçadistas que atuam apenas no mercado nacional. Até meados do ano passado, aproximadamente, a perda de embarques ao exterior representava imediata super-oferta interna de calçados. Consequentemente, geravam-se efeitos danosos para quem fabrica, principalmente o aumento da já acirrada disputa de espaço com o oferecimento, por alguns, de preços finais semelhantes, iguais ou inferiores aos custos de produção. O exportador de calçados destinava uma parte da sua produção a clientes internacionais e fechada essa porta - parcial ou quase totalmente, por qualquer motivo temporário ou prolongado -, ele invariavelmente mantinha o volume de pares fabricados e redirecionava o excedente para o varejo nacional. Agora, ao contrário, tenta recuperar no exterior os embarques perdidos, buscando novos mercados. Essa recuperação será lenta, porque há pouco mais de uma década o exportador começou a perder para a China as vendas em grande escala. O câmbio desfavorável só agravou a impossibilidade de competir com os chineses em preços. Vislumbra-se a retomada com os produtos de maior valor agregado, negociados em volumes bem inferiores aos que eram destinados aos Estados Unidos. ESTRATÉGICO Comunicação agrega valor aos produtos, serviços e à empresa. Eleva a fidelidade dos clientes, atrai outros e, conseqüentemente, dá lucro. Também é o agente motivador de uma organização. Tornou-se, há tempos, instrumento estratégico imprescindível para a conquista de resultados. Independentemente de seu porte, a empresa precisa, no mínimo, informar que existe. SATISFEITOS Nove dos dez fabricantes de máquinas para couros e calçados que vieram do Rio do Sul para participar da Fenafic, por intermédio da associação nacional da classe (Abramaq), já confirmaram presença na próxima edição da feira francana. Os contatos realizados e a possibilidade de fecharem negócio a médio prazo superaram suas expectativas iniciais. Esse grupo inaugurou a iniciativa da Abramaq de executar uma série de ações estratégicas, com o apoio do Sebrae gaúcho, para promover a capacidade tecnológica das empresas do setor. Além de facilitar a participação delas em feiras, realizará showrooms nos principais pólos calçadistas do País, com palestras técnicas sobre gestão de processos, manutenção preventiva das máquinas, etc. ALGO MAIS Sapato não tem a função apenas de proteger e de embelezar. Também é arte, porque nele há traço, cor, altura, largura e profundidade. É, portanto, desenho, pintura e escultura, segundo o crítico de arte Olney Kruse. Estávamos vasculhando um arquivo antigo, de 1997, e apareceu essa frase. Aplica-se na medida em muitos modelos de sapato recém-lançados por vários fabricantes francanos. Há criações excepcionais. JORNAL DE ONTEM 1900. Ano de greves, no Rio e em São Paulo, onde estava a principiante indústria nacional (começa a existir de fato a partir de 1930). O Rio se convulsiona com as agitações de sapateiros, cocheiros e estivadores contra a carestia da vida. Operários nas pedreiras de São Paulo conseguem reduzir a jornada de trabalho de doze para dez horas, nas quais incluíam-se os sábados. Fracassa outra greve que exigia pontualidade nos pagamentos. Campos Sales assume para enaltecer a vocação agrícola do Brasil. “Exportar o que podemos produzir melhor. Importar tudo quanto outros produzem melhor. Abaixo a industrialização!”, proclama. No fim do mandato, deixa o palácio debaixo da vaia. (Fonte: Darcy Ribeiro, “Aos trancos e barrancos”, Ed. Guanabara, RJ, 1986.)

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