O ‘eu quero agora!’


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Depois de romper com o tradicionalismo e conquistar o direito de cultura e discursos próprios, os jovens vivem hoje uma crise inimaginável para a geração dos anos 60. São escravos das próprias vontades. No mundo que apresentamos para os jovens, política é utopia, as previsões da ecologia são pessimistas e o conhecimento é só mais uma forma de arrumar trabalho. E ainda há a preocupação do desemprego. Se o jovem não tem crença no progresso, fica melancólico e tem dificuldade em elaborar um projeto para sua vida. Às vezes o aluno indisciplinado pode não ver grande sentido em estudar, menos ainda acordar de manhã. Se ele não faz projeções para o futuro, vive só o aqui e agora, o presente eterno. O jovem de hoje não é sufocado por instituições totalitárias. O tédio da juventude é a sensação de que o tempo passa devagar porque não se aprendeu a ocupá-lo com causas úteis. Na sociedade do aqui e agora há a supremacia da emoção momentânea.Tudo leva a crer que, hoje a vergonha mais presente é aquela que não é de origem moral. A pessoa tem mais vergonha de se dar mal na vida do que trapacear um colega. Estamos em uma sociedade mais da glória do que da hon-ra e do auto-respeito.Os jovens de hoje se sentem de maneira ambígua, acham que se encontram só quando se realizam todos os seus desejos. Na maioria das escolas só se fala de propriedade depois que o aluno roubou, discute-se a verdade só quando alguém mentiu. O mesmo vale para a educação infantil. A criança pode ficar ‘bem’ em uma escola que só dita regras mas a partir da 3ª série, ela reivindica princípios. Se não forem colocados, será gerado um vazio e regras não serão mais obedecidas. E o pior: as noções de moral e ética começam a ser construídas nessa fase. ANA CÉLIA DE FREITAS é educadora e integrante do Conselho de Leitores do Comércio

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